Milton DóriaBoa sorteCatuaí Shooping Center vai distribui três mil trevos a seus clientes: lenda que envolve a planta nasceu na Irlanda no ano 200 a.C.Pé de coelho, ferradura, galho de arruda, trevo de quatro folhas... Supersticioso que acredita mesmo no mau agouro da sexta-feira 13 não vai sair de casa, hoje, sem carregar um dos inúmeros amuletos que fazem parte da cultura brasileira. Os supersticiosos também não devem passar debaixo de escadas e, se encontrarem um gato preto, mudarão logo de calçada.
Para os mais crentes na superstição, especialmente nas sextas-feiras 13, vale a receita do vendedor ambulante Rosalvo da Silva: não se pode contar ou mostrar para ninguém o amuleto. ‘‘Eu carrego, mas não conto. Se contar, estraga a mágica’’, revela. E não adianta insistir, porque o vendedor de biscoitos de polvilho, com chapéu de cangaceiro, não conta mesmo. Mas revela: na sexta-feira 13, o amuleto habitual ganha outro para reforço.
Menos preocupado com as consequências da exposição dos seus amuletos, o garçom José Carlos Cardoso escancara a carteira, mostrando a folha de guiné e as três folhas de louro que carrega para buscar proteção. ‘‘Oh! Como protege!’’, diz, assegurando que não se separa das folhas há mais de 10 anos. A guiné, ele explica, é para afastar ‘‘olho gordo’’; e o louro para atrair a sorte. A superstição do garçom não é específica da sexta-feira 13. Para ele, os amuletos têm que estar junto todos os dias do ano.
‘‘Isso é uma grande bobagem. Um fala que é dia de sorte. Outro fala que é de azar. Para mim, a sexta-feira 13 é um dia como outro qualquer’’, opina a vendedora ambulante Maria Conceição Rodrigues Alves. ‘‘Tudo o que a gente coloca na cabeça acontece, por isso tem que pensar só em coisa boa’’, completa a autônoma Sueli da Penha Florentino Silva. Para o guarda público Antonio Soares, todo dia é um misto de sorte e azar. ‘‘Quem faz a sorte do dia é a própria pessoa.’’
O trevo de quatro folhas é um dos mais encantadores como canal de atração de energia e sorte, pela sua raridade. A lenda que envolve a planta nasceu na antiga Irlanda, povoada pela civilização celta, no ano 200 a.C. A raridade deste trevo, que normalmente é encontrada com três folhas, fez com que os Druídas, que eram os mestres juízes e sacerdotes, o considerassem sagrado. Na Irlanda, acreditava-se que os Druídas podiam prever o futuro e entender os mistérios do mundo. Conta a lenda que quem possuísse uma planta do trevo de quatro folhas só teria sorte e sucesso.
Superstição ou não, a verdade é que o trevo de quatro folhas acabou trazendo sorte para a comerciante Dirce Calombi. Dona de um canteiro repleto da plantinha, no ano passado Dirce resolveu fazer o trevo da sorte, colocando a folhinha para ser distribuída numa lotérica. Cada folhinha plastificada foi vendida por ela a R$ 1,00. Neste ano, ela vendeu três mil folhas do trevo, a um preço entre R$ 0,15 e R$ 0,20 cada. Com isso, a sexta-feira 13 trouxe um ganho extra entre R$ 450,00 e R$ 600,00 para a comerciante. ‘‘Para mim, trouxe sorte’’, afirma. ‘‘Espero que traga também para quem receber o trevo.’’ Na opinião da comerciante, um pouco de superstição sempre existe. ‘‘Só sei que hoje não é dia de azar, não.’’ Os três mil trevos serão distribuídos hoje aos clientes do Catuaí Shopping Center, com votos de ‘‘Boa Sorte!’’.

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