Em algumas praças centrais, a ação dos adolescentes é ainda mais audaciosa. Na Praça Garibaldi, no Largo da Ordem, os meninos chegam a tirar o dinheiro das pessoas que vão pagar um sanduíche ou um refrigerante na panificadora. De acordo com a balconista Cleusa Correia Scharneski, de 37 anos, os adolescentes (geralmente meninas com idade entre 10 e 12 anos) roubam pacotes de sorvetes e dinheiro do caixa e saem correndo. ‘‘Já houve uma oportunidade em que eu saí correndo atrás de uma menor e tirei a caixa de sorvetes do meio da praça, a menina estava vendendo o produto roubado’’, conta Cleusa.
Muitas vezes, quando a panificadora está cheia, as adolescentes conseguem reunir um grupo com cerca de dez meninas e entram todas juntas para assustar a freguesia e levar bolsas e carteiras. ‘‘Todo mundo reclama, já cansamos de avisar a polícia. Elas ficam afastadas por uma ou duas semanas e depois voltam’’, diz ela. Um dos frequentadores da panificadora afirma que tem receio de passar pelo centro da cidade. ‘‘Turista agora tem outra atração aqui’’, salienta.
Na Praça Rui Barbosa, as grandes vítimas são as pessoas que esperam para pegar o ônibus nas filas. A proprietária de um carrinho de pipocas, Nilse Padilha Peczek, de 37 anos, diz que se sente impotente diante da ação dos punguistas. ‘‘Eles batem a carteira de quem está na fila e passam do nosso lado’’, diz ela. Nilse afirma que tem medo de represálias e por isto nunca tentou evitar um furto. ‘‘Eu estou sempre aqui, eles me conhecem e não quero ter problemas no meu trabalho’’, avisa.
Nilse diz que os furtos não são feitos apenas por adolescentes. ‘‘Eu vejo muito engravatado passando por aqui e levando a carteira de um idoso ou de uma gestante como se tivesse pegando uma bala de uma criança’’, afirma. Ela trabalha há 18 anos na Praça Rui Barbosa e diz que nos últimos três anos, a criminalidade no local cresceu. ‘‘Eles chegam e levam o que a pessoa tiver na mão, até o relógio se a pessoa não tiver dinheiro’’, salienta.(L.P.)

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