Comerciante tenta acordo com empresa para receber seguro
Lúcio Flávio Moura
De Londrina
O comerciante Enoque Alves da Silva, 34 anos, está tentando há duas semanas entrar em acordo com a Seguradora Gralha Azul para que a empresa o ressarça do furto de um Fiat Uno, ocorrido em 13 de janeiro na garagem de sua casa em Sertaneja (38 km ao norte de Cornélio Procópio).
O caso tornou-se público desde 28 de março, quando Enoque colocou o que restou de sua caminhonete D-20, totalmente destruída em um acidente na PR-090, em frente à agência local do Banestado, do mesmo grupo financeiro da seguradora.
Além disso, Enoque confeccionou uma faixa também colocada na frente da agência com as inscrições: Faça como este proprietário. Mais uma vítima. Assegurou seus veículos com a Gralha Azul e ficou no prejuízo.
O protesto acabou se transformando em caso de polícia, quando o delegado José Carlos Dantas apreendeu a caminhonete e a enviou ao Fórum de Cornélio Procópio, sede da comarca.
De acordo com Dantas, o departamento jurídico da Gralha Azul pediu a Polícia Civil para que abrisse um inquérito para apurar o episódio, mas ele preferiu elaborar um termo circunstanciado e passar o caso diretamente para a Justiça.
Eles argumentaram que o protesto afetava diretamente a imagem da empresa e eu concordei, justificou o delegado. Enquanto a Justiça não se pronunciar, o veículo permanecerá no pátio do Fórum de Cornélio Procópio.
Só fiz o protesto porque tentei vários contatos, sem sucesso, com a seguradora e o banco e eles se comprometeram a resolver a situação até o dia 27 de março, o que não aconteceu. Foi uma manifestação legítima e sem a intenção de prejudicar ninguém, defende-se o comerciante.
Enoque se considera duplamente prejudicado. Com prestações do seguro do Uno atrasado, ele não sabia que o prazo de carência já tinha se esgotado. Quando ocorreu o acidente eu ainda não sabia que não tinha mais cobertura, além disso há contradição no prazo de vigência do contrato, alega.
A caminhonete D-20 foi destruída em um acidente no dia 3 de março, justamente quando, segundo Enoque, ele viajava para resolver com a seguradora problemas relacionados com o furto do Uno.
O comerciante procurou o Procon, que o indicou à Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão que regulamenta o setor. Eles me instruíram para, caso não seja feito o acordo, que eu envie a documentação a eles, atitude que devo tomar nos próximos dias, promete.
Durante vários dias, a Folha tentou contatar por telefone o gerente da sucursal da Gralha Azul, em Londrina, Antônio Dark Kano, única pessoa indicada para falar do assunto, segundo outros funcionários. Sua secretária informou a reportagem que ele não poderia ser localizado porque estava viajando a trabalho e estaria permanentemente em trânsito, visitando clientes e postos de venda da empresa.





