O comerciante Anisio Ribeiro dos Santos Sobrinho, 27 anos, decidiu rifar uma lanchonete no centro de Paranavaí, depois de colocar o estabelecimento à venda por quatro meses. A rifa tem 2 mil números, a R$ 5,00 cada, e corre pela Loteria Federal de 11 de julho. Se conseguir vender tudo, Santos vai arrecadar R$ 10 mil, valor maior que o pedido pela venda da lanchonete.
O preço inicial pedido por Santos, de R$ 8,5 mil, chegou a receber muitas propostas nos últimos três meses. Todas, no entanto, tinham algum obstáculo no ponto de vista do comerciante. ‘‘Alguns queriam pagar parte do valor com terrenos, veículos e outros bens que não me interessam’’, explicou. Os que ofereciam dinheiro queriam prazo para pagar.
O primeiro passo para estipular o valor e a quantidade de números da rifa foi fazer um levantamento completo de tudo que tem dentro do estabelecimento, desde os paliteiros até o balcão frigorífico. A relação de bens foi registrada em cartório para comprovar que tudo será entregue ao ganhador. Outra providência foi terceirizar a venda dos cupons. ‘‘O pessoal do Sesc pegou firme e está vendendo bem’’, garantiu.
Ele ainda não tem idéia de quantos números já foram vendidos, mas acredita que vai vender quase tudo antes da data definida para o sorteio. ‘‘Se o número sorteado pela Loteria Federal ainda estiver comigo, marco outra data, e mesmo que não tenha vendido tudo, quem ganhar leva’’. Os maiores interessados são assalariados e trabalhadores rurais.
Santos disse que decidiu vender a lanchonete porque não tem nenhuma experiência na área. Ele trabalhava como assessor de recursos humanos em São Paulo, quando decidiu retornar a Paranavaí e abrir um negócio próprio, há pouco mais de um ano. Depois da rifa, Santos quer voltar a ser empregado, de preferência em Paranavaí. ‘‘Se não der certo, volto para São Paulo’’.
A rifa da lanchonete de Santos é ilegal, segundo o regulamento do Ministério da Justiça. O plantão fiscal da Receita Federal de Maringá esclareceu à Folha que o comerciante pode apenas fazer o sorteio de brindes, através da distribuição gratuita de cupons entre clientes. O sorteio deve ter autorização do Ministério da Justiça e é liberado com o propósito de aumentar as vendas de uma ou mais lojas.
No caso de rifa com a venda de cupons, promovida por entidades sociais ou filantrópicas, também é preciso a autorização do Ministério da Justiça. Quando a entidade é ligada a um clube esportivo, a rifa ou bingo tem que ter autorização da Receita Estadual.Marcos NegriniNegócio encalhadoAnisio Ribeiro não conseguiu vender lanchonete e resolveu rifá-la; comerciante quer voltar a ser empregadoMarcos Zanatta

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