Comerciante reage e mata acusado de assalto
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quinta-feira, 20 de maio de 2004
Alan Maschio e Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
A Polícia Civil de Londrina registrou anteontem o 66º homicídio na cidade em 2004. Fábio da Silva, 19 anos, foi morto com dois tiros pelo comerciante José Cândido da Silva, no Conjunto São Lourenço (Zona Sul). Segundo informações do delegado de plantão na 10 Subdivisão Policial de Londrina, Valdir Fernandes, por volta das 20 horas de quarta-feira, Fábio e mais dois homens armados tentavam assaltar o bar do comerciante, localizado na Avenida Aristides Souza Melo. Ele teria reagido a uma agressão pegando uma arma e disparando contra o rapaz.
''Os tiros atingiram o pescoço e o peito do assaltante, que ainda conseguiu correr por cerca de 50 metros antes de morrer'', contou o delegado. Ainda segundo Fernandes, Silva teria atingido um dos outros acusados, que fugiram. ''Se ele fosse pego, seria preso em flagrante por homicídio. O correto nestas situações é não reagir'', explicou Fernandes.
O comerciante se apresentou ao delegado José Arnaldo Peron Martins na tarde de ontem, acompanhado por seu advogado. Peron não foi encontrado pela reportagem para comentar o depoimento de Silva. ''Ele deve responder a inquérito por homicídio. Somente um juiz poderá avaliar se ele agiu em legítima defesa'', concluiu Fernandes.
Para moradores do Conjunto São Lourenço entrevistados pela Folha, José Cândido da Silva é a verdadeira vítima da ocorrência. ''Eu o conheço há 20 anos. Ele é trabalhador. Está todo dia com o bar aberto das 6 às 22 horas. Qualquer um faria a mesma coisa que ele fez nesta situação'', opinou o também comerciante Durval Oliveira Bitencourt, 53, morador da região desde 1978.
A opinião é semelhante a do aposentado Nestor Dutra, 62, vizinho do Bar do Cândido. ''A gente sente quando acontece uma coisa dessa com um pai de família. Toda a família dele é muito gente fina'', garantiu. Ele queixou-se da insegurança do bairro. Além de sua esposa ter sido assaltada perto de casa, Dutra revela que tem medo até de ficar na rua. ''É só dentro de casa e sempre com tudo trancado'', salientou. ''Antes eu podia viajar que nada acontecia. Hoje, tenho cachorro e alarme e nem assim posso deixar a casa sozinha'', complementou Bitencourt.


