Comerciante persegue e prende homens que assaltaram mercado
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sexta-feira, 30 de agosto de 2002
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
Um assalto no Mercado Municipal do Jardim Guanabara (zona sul de Londrina), no fim da tarde de anteontem, terminou com a prisão de duas pessoas, que foram perseguidos por um dos comerciantes do mercado. Ele imobilizou os dois, chamou a polícia e acompanhou a prisão. Só depois ficou sabendo que os ladrões estavam armados. T.A.S., 16 anos, foi levado para o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) e João Henrique Trindade, 19 anos, que já tem passagem pela polícia por furto, está preso no 2º Distrito Policial. O terceiro conseguiu fugir.
Segundo o comerciante, que pediu para não ser identificado, ele estava atendendo um cliente quando uma funcionária do box ao lado entrou chorando e dizendo que havia acabado de ser assaltada. ''Eu saí para ver o que estava acontecendo e me disseram que os três assaltantes eram menores e que tinham saído correndo. Peguei a chave do carro, chamei um amigo que estava por ali e fomos atrás deles'', contou. Ele identificou os assaltantes logo em frente, descendo uma das ruas que terminam no Lago Igapó 2. ''Reconheci o rádio que um deles segurava porque é o rádio do sacolão aqui do mercado. Neste momento eu soube que eram eles'', explicou o comerciante.
''Segurei os dois maiores, que por sinal eram maiores que eu e fiz eles ajoelharem no chão. O outro escapou'', disse. O comerciante chegou a blefar pedindo para o amigo que pegasse o revólver que estava no carro: ''Na verdade, nunca tive arma na vida'', garantiu, lembrando que usou o celular para chamar a polícia. ''Em três minutos a viatura estava aqui'', apontou.
O comerciante só foi perceber o risco que correu depois que os assaltantes estavam presos. ''Quando o delegado me disse que eles estavam armados e que um deles era maior de idade com passagem pela polícia, me dei conta que eles poderiam ter me matado''. Casado e pai de dois filhos, ele trabalha no Mercado Municipal desde a fundação, em 1979, e nunca foi assaltado. Ontem, ainda bastante nervoso, o comerciante reconheceu que agiu precipitadamente.
O delegado Jorge Barbosa, do 5º Distrito Policial, que atendeu o caso, disse que a história deve servir de alerta: ''É muito perigoso reagir a um assalto e ainda mais sair perseguindo os bandidos. Eles sempre estão armados e não hesitam em atirar. Será que vale a pena arriscar a vida para recuperar alguns reais? Prender bandido é coisa para ser feita pela polícia'', apontou.


