O comerciante Almerindo Peixoto, de Foz do Iguaçu, oficializou ontem ao secretário Estadual de Segurança Pública, Cândido Manoel de Oliveira, as denúncias de agressão e discriminação racial contra o seu filho, o estudante M.C.R.P., de 17 anos. Segundo ele, policiais militares espancaram o menor, além de discriminá-lo pelo fato de ele ser negro. A pancadaria, de acordo com a denúncia, teria sido no pátio do 2º Distrito Policial.
A denúncia formulada pela família aponta os soldados Ferreira e Solano, além do cabo Peixoto, como autores do espancamento. Segundo Peixoto, o filho dele, um rapaz mulato, levou socos e pontapés, além de ter sido xingado de ‘‘negrinho vagabundo’’. O menor estava dirigindo sem habilitação.
De acordo com denúncia protocolada no Ministério Público, Centro de Direitos Humanos e na Polícia Civil, o adolescente teria dado carona a amigos ao sair do Floresta Clube, no último dia 15 de fevereiro. Ao chegar na Vila B, onde moram os amigos, ele foi barrado por seguranças da usina, que acionaram a PM.
O cabo Prado e os soldados Ferreira e Solano levaram o rapaz e o veículo para o 2º DP, que, segundo o pai, foi o palco das sessões de pancadaria. Três dias depois da ocorrência, as marcas da tortura foram confirmadas pelo médico legista Jomar Giostri do Instituto Médico-Legal (IML) de Foz do Iguaçu.
A PM, apesar de conhecer a denúncia através da Polícia Civil desde fevereiro, ignorou o fato. O subcomandante do 14º Batalhão, major Hebert Afonso Pinto da Silva, disse ontem à Folha que somente na quinta-feira da semana passada a corporação decidiu abrir um inquérito policial militar para investigar o caso.
Mesmo com a denúncia, um dos policiais ainda continua trabalhando. Os outros dois só não estão nas ruas porque gozam férias. Hebert afirmou que os policiais negam a pancadaria e citou como testemunhas de defesa os policiais civis do 2º Distrito Policial. O major diz que a denúncia é oportunismo. ‘‘Eu não sei onde esse comerciante quer chegar. Agora virou moda denunciar a PM’’, disse.
Peixoto condena a atitude do comandante ao dizer que ela ‘‘dá margem para que se cometa mais selvageria’’. Ele denuncia ainda que sua família está sendo perseguida por policiais. Afirma que uma viatura vem rondando sua casa e que a filha dele foi seguida por PMs.

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