Comerciante nega ligação com centrais clandestinas
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quinta-feira, 18 de outubro de 2001
Marta Medeiros<br> De Maringá 
O comerciante libanês Afif Adib Eib negou envolvimento no esquema das ligações clandestinas em depoimento prestado anteontem na Polícia Federal de Foz do Iguaçu. Eib havia sido apontado pelo garçom Ederaldo Félix dos Santos como o responsável pela implantação das centrais que funcionaram em Maringá e Sarandi. No interrogatório prestado na última terça-feira, Santos identificou de forma errada Eib como sendo Afif Najib Eid.
Afif Adib Eib disse no depoimento que não conhece Santos e que nunca veio para Maringá. O comerciante se colocou à disposição da polícia para uma acareação com Santos. Apesar de negar envolvimento, pelo menos duas linhas até agora descobertas pela Polícia Civil de Maringá estão em nome de Afif Adib Eib. O comerciante disse também que tem 35 linhas da Telepar Brasil Telecom e outras 63 em fase de solicitação, mas alegou que desconhece os pedidos de linhas feitos à empresa.
Segundo o delegado Benedito Aurélio Gonçalves, do 2º Distrito Policial de Maringá, responsável pelo inquérito, a polícia já descobriu que o garçom mentiu em várias partes do interrogatório, como dos rendimentos pelo ''trabalho'' com as centrais clandestinas. Santos contou que tinha sido contratado por R$ 500,00 por mês para operar as linhas, mas está construindo em Presidente Castelo Branco (26 km de Maringá) um sobrado de alto padrão com 276 metros quadrados.
Para o delegado, o caso das centrais ainda envolve ''muitos mistérios''. ''Dá para perceber que é uma organização muito bem montada, mas ainda falta o principal, ou seja, os verdadeiros chefes desta quadrilha'', afirmou Gonçalves. A polícia também tenta localizar um árabe de nome Nazrul Islam Sirdes Nazir. O nome estava escrito em uma das anotações encontradas pela polícia nas centrais clandestinas.
O delegado também pretende intimar representantes da Telepar Brasil Telecom e da Cotel, empresa responsável pela instalação técnica das linhas. Até agora foram localizadas sete centrais e 177 linhas telefônicas utilizadas de forma clandestina. Só em um endereço no Jardim Alvorada, em Maringá, de fevereiro a outubro deste ano, passaram pelo local mais de 100 linhas. ''Não há critérios e nem rigor nos pedidos de linhas e nas instalações e precisamos descobrir como isso foi feito durante tanto tempo sem problemas'', disse o delegado.


