Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O comerciante Cláudio Pozzo, 40 anos, vai entrar na Justiça contra a Prefeitura de Matelândia (80 km a nordeste de Foz do Iguaçu) para exigir ressarcimento pelos danos causados por uma voçoroca que atingiu o quintal de sua casa. Ele afirma que o problema foi provocado pelo abandono das obras de dois ramais de canalização das águas de chuvas, iniciadas há cerca de 15 anos pela prefeitura.
Segundo Pozzo, a propriedade, localizada na Avenida Paraná – a principal da cidade –, teve o quintal dividido pelo buraco, de aproximadamente dois metros de profundidade, dois metros de largura e mais de 90 metros de extensão. ‘‘Eu comprei o terreno em 1984 e até hoje o problema não foi resolvido por irresponsabilidade e descaso’’, afirmou.
O comerciante já gastou cerca de R$ 8 mil para concluir o trabalho de canalização por conta própria. Segundo ele, foram utilizados aproximadamente 500 metros cúbicos de terra para cobrir as valas e poder fazer a canalização, inclusive de 11 metros no quintal de um terreno vizinho. Ele contratou uma empreiteira para realizar o trabalho. A obra já está em fase de conclusão.
Com a obra concluída, Pozzo e a vizinha Terezinha Betiatto pretendem cobrar na Justiça o valor gasto. De acordo com ele, a prefeitura já foi notificada. ‘‘Nós podíamos pagar pelo trabalho, mas logo abaixo há outros oito terrenos que estão com o mesmo problema e os proprietários não têm dinheiro para bancar’’, afirmou o comerciante.
O prefeito de Matelândia, Onir Braghini (PSB), disse que propôs uma parceria ao empresário. ‘‘Propusemos que ele comprasse as manilhas e nós executaríamos a obra. Mas ele não quis. Segundo o prefeito, os terrenos estão localizados em uma região de nascentes e o problema é antigo.
Braghini enfatiza que, apesar de não ser uma obra da sua gestão, tem colaborado com o envio de máquinas para terraplenagem e que mantém boa relação com o comerciante. ‘‘Se ele quiser cobrar a prefeitura é um direito que tem. A Justiça vai definir se temos que pagar ou não’’, afirmou o prefeito.

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