Há um mês, o vendedor de caldo de cana Ademir Amorim, 49 anos, transformou sua kombi numa ambulância improvisada. Socorreu um chapa que foi atropelado e atirado para fora da estrada. José Gregori, pai de três filhos, diz que deve a vida a Amorim. ‘‘Foi ele, este meu amigo, que me salvou’’, aponta Gregori para o comerciante, que tem como freguesia os próprios chapas do posto do Contorno Sul.
Amorim declara que compreende a situação dos chapas e ,em um ano trabalhando no local, afirma estar tendo uma convivência pacífica. ‘‘Eles são obrigados a passar por tudo isso. O desemprego está grande’’, comenta o comerciante, diante dos perigos iminentes da estrada, o chapa Moisés de Oliveira, 41 anos, pensa em fazer um seguro de vida se as comissões pagas pelos caminhoneiros melhorarem.
‘‘O serviço é arriscado. A correria existe, mas a gente toma bastante cuidado’’, diz Moisés. Sustentando a mulher e outros três filhos, ele acha que não teria condições de trabalhar com carteira assinada. Alega que o salário não seria suficiente para pagar as despesas familiares. (D.V.)

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