Comerciante é acusado de raptar e torturar menor
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quinta-feira, 27 de maio de 1999
Lúcio Horta 
O dono de uma lanchonete da Avenida Saul Elkind, zona norte de Londrina, está sendo acusado de raptar e agredir um menor de 16 anos. O motivo da agressão teria sido um furto ocorrido no estabelecimento na noite de domingo, de onde foram levados um aparelho de televisão e outros objetos. O comerciante, segundo a polícia, investigou o caso por conta própoiee chegou à conclusão de que um dos participantes do delito teria sido o menor L.B., morador no Conjunto Semírames 1 (zona norte).
O menor afirma que, na terça-feira, às 21h40, Valter José Meneguelli, dono da lanchonete, o encontrou numa casa de jogos eletrônicos da Avenida Saul Elkind. Ele já chegou falando que eu tinha roubado. Pegou no meu pescoço e me obrigou a ir para a caminhonete, relatou. O comerciante, conforme L.B., estaria armado com faca e revólver e acompanhado de um funcionário da lanchonete. Da Saul Elkind, eles teriam partido para um barranco nas margens do Rio Tibagi, próximo de Jataizinho (21 km a leste de Londrina).
L.B. contou que teve as mãos e pescoço amarrados com corda de nylon. Levei coronhada, chute, murro. Depois ele fez afogamento no rio (manteve a cabeça debaixo dágua por alguns segundos). Queria que eu confessasse onde estavam as coisas, contou o menor. Ele afirmou que teve a roupa rasgada e está com escoriações por todo o corpo. Eu falava para não bater, mas, quanto mais falava, mais apanhava.
L.B. conta que depois de quase duas horas o comerciante desistiu de continuar batendo e o levou de volta para a zona norte de Londrina. O menor teria sido abandonado a cinco quilômetros de distância da fábrica de embalagens Dixie Toga e só chegou em casa por volta da 0h20 de quarta-feira. Embora confesse que já praticou outros furtos e assaltos, para comprar droga, ele nega que tenha arrombado a lanchonete de Meneguelli.
O pai do menor, Benedito Bertoncini, 63 anos, disse que ainda na noite de terça-feira o próprio dono da loja de jogos eletrônicos foi até a casa dele para avisar do rapto do garoto. Às 22 horas eu já estava no módulo policial e às 22h30 no Cadeião da Sergipe, falando com o delegado Jurandir (Gonçalves André, que estava de plantão na 10ª Subdivisão Policial). Às 4h30 da manhã, depois que meu filho voltou para casa, ele foi de novo para a delegacia para reconhecer a corda de nylon e a faca. O revólver sumiu, disse o pai.
Benedito Bertoncini não esconde que o filho é viciado em drogas e já foi detido algumas vezes por causa de furtos e roubos. Na última vez, L.B., depois de participar de um assalto à mão armada, ficou 45 dias internado no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) e foi libertado na semana passada. Ele está matriculado na escola mas não está indo. O problema é a droga. Eu até já falei na promotoria, para ver se o internam, mas não consigui nada.
O pai adiantou que pretende processar o comerciante. É a primeira vez que isso acontece e a gente fica assustado. Não é coisa que se faça, não concordo. Vou entrar com uma ação de indenização por danos físicos e morais. Anteontem à tarde L.B. passou por exames de lesão corporal no Instituto Médico-Legal (IML).


