Comerciante desaparece e preocupa produtores
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sexta-feira, 20 de abril de 2001
Marta Medeiros De Maringá 
O desaparecimento do cerealista Agenor Dionízio Braga Filho, 62 anos, está desesperando a comunidade de Água Boa, distrito de Paiçandu (10 km a oeste de Maringá). Grande parte dos agricultores entregou a soja para a Comércio de Cereais Água Boa, de propriedade de Braga Filho. Ele não é visto desde quarta-feira à noite. Estima-se que o cerealista recebeu cerca de 65 mil sacas de soja desta safra. O prejuízo dos agricultores pode passar de R$ 1 milhão.
Até ontem à tarde, nenhum agricultor havia registrado queixa ou feito uma representação contra Braga Filho. Sem queixa não há vítima e por enquanto a polícia não pode fazer nada, informou o delegado de Paiçandu, Benedito Firmino de Oliveira. Segundo moradores do distrito, a conduta de Braga Filho sempre foi tão respeitada que as próprias vítimas estão inibidas de prestar queixa contra o cerealista.
O produtor Antonio Andreassa disse ontem que ele e os filhos entregaram mais de 1.000 sacas para a cerealista de Braga Filho. A quantidade do produto vale cerca de R$ 16 mil. Só Deus para saber o que se passa pela cabeça do Agenor, observou Andreassa. Segundo ele, não está sendo fácil se conformar com a situação porque a família depende do dinheiro da soja para sobreviver o resto do ano. Conheço ele (Braga Filho) há muitos anos e espero que isso de fato não seja nenhum tipo de golpe, destacou Andreassa.
A produtora rural Amélia Conti, disse que está sofrendo com a situação por causa de dois filhos que também entregaram 1.000 sacas de soja para o comerciante. Ela disse que escapou do problema porque este ano entregou o produto para a Cocamar, principal cooperativa de Maringá. A vida inteira foi com o Agenor e agora meus filhos não sabem o que fazer, contou Amélia. Estamos tristes porque o Agenor é como se fosse da família, sempre foi de casa, acrescentou a produtora.
O distrito de Água Boa tem mais de 2.000 moradores e todas as atividades da comunidade se desenvolvem por causa da lavoura. Os moradores temem um colapso financeiro no distrito caso o cerealista não cumpra com o pagamento da soja. Além de utilizarem o dinheiro para a própria sobrevivência, os produtores aguardam o pagamento para iniciar o próximo plantio. Como meus filhos vão comprar sementes e insumos se até agora não receberam nada, comentou Amélia.
O filho do cerealista, Claudionor Braga, disse à Folha que nunca lidou com a cerealista do pai e que não tem idéia dos negócios e nem do montante do prejuízo. Braga confirmou que o pai está desaparecido e que teria ligado anteontem à noite para informar que pretendia voltar, mas não havia definido uma data. Estou sem entender nada porque meu pai nunca ficou devendo dinheiro para ninguém, ressaltou Braga.


