Comerciante depõe de novo e inocenta policial
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segunda-feira, 29 de março de 1999
James Alberti 
A comerciante Aparecida Inês Isalino, 49 anos, voltou atrás ontem, ao depor na Corregedoria da Polícia Civil, em Curitiba, e negou ter dito que os quatro papelotes de cocaína encontrados com ela pertencessem ao investigador Luís Renato Conceição, da Delegacia de Almirante Tamandaré. Presa em flagrante no domingo, Aparecida havia afirmado em seu depoimento que o policial, a secretária da delegacia Janete Magalhães, que é funcionária da prefeitura e mulher de Conceição, e o 2º suplente de delegado Roney da Silva estão envolvidos com o tráfigo de drogas.
O investigador Obadias de Souza Lima, responsável pela prisão, afirmou ontem ter encontrado indícios da participação dos três acusados com o tráfico e com extorsão na delegacia. Os três estariam cobrando entre R$ 100,00 e R$ 150,00 por um alvará que custaria R$ 18,50.
Segundo Lima, o delegado de Almirante Tamandaré, Maurício de Oliveira, e ele foram ameaçados de morte, caso não interrompessem as investigações. Lima disse também que os acusados já vinham sendo investigados pela Polícia Federal.
O corregedor-geral da Polícia Civil, Anibal Bassan Júnior, não descartou a hipótese de Aparecida ter sido ameaçada para mudar o depoimento. Durante a noite de domingo e madrugada de ontem, a comerciante permaneceu detida na Delegacia de Almirante Tamandaré, na qual trabalham os acusados. Ontem, depois de depor na corregedoria, ela foi transferida ao 9º Distrito Policial, segundo Bassan, por motivos de segurança.
O delegado de assuntos internos, Gilson Garre Algauer, e o delegado Miguel Marcelo Stadler de Souza, de Colombo, foram designados para investigar as acusações. Conforme informação apurada pela Folha, a prisão dos três acusados havia sido decretada no começo da manhã. Com a mudança no depoimento, porém, o pedido de prisão teria sido retirado.
O delegado João Manoel de Siqueira Dias, chefe da Divisão de Polícia Metropolitana, disse que o policial está afastado das funções. O mesmo teria acontecido com os outros dois acusados. Em menos de um ano, essa é a segunda vez que policiais de Almirante Tamandaré são acusados de envolvimento com crimes. No ano passado, o delegado Paulo Padilha e dois investigadores foram acusados de participar de uma quadrilha que furtava carros e extorquia dinheiro das vítimas.


