O apego aos animais de estimação pode fazer com que os donos tomem atitudes drásticas e busquem seus direitos na Justiça. Foi o que aconteceu com a comerciante Elza Chicazawa, moradora na Gleba Lindóia, em Londrina, que teve uma cadela envenenada, supostamente por uma vizinha. A comerciante deu queixa na polícia e pretende processar a suspeita pela morte do animal, baseada em laudos médicos que comprovam o envenenamento do animal.
A cadela Luana, de sete anos, estava na família há cinco anos. Há 30 dias, ela teve oito filhotes, e ficava no canil de casa. Segundo a comerciante, um cachorro passou por um buraco na cerca que divide a casa com a chácara vizinha e acabou sendo atacado pela cadela. ''O cachorro ficou ferido, mas a cadela estava apenas defendendo os filhotes.'' Irritada com os ferimentos no cão, a vizinha, dona do cachorro, teria discutado com a comerciante e ameaçado matar a cadela. ''Ela ficou muito nervosa, gritava, ofendeu muito, mas achei que era só um momento de raiva.''
A comerciante deixou a cadela solta no quintal e no domingo pela manhã, não encontrou o animal. Mais tarde, a cadela foi localizada morto, num quintal vizinho.
A cadela foi levada ao Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que constatou na necropsia e num exame de toxicologia um veneno encontrado em inseticidas. O laudo aponta presença de organofosforado no fígado do animal.
Indignada, a dona da cadela resolveu processar a vizinha e na quarta-feira deu queixa no 2º Distrito Policial (DP). O delegado Marcos Fernando da Silva Fontes afirmou que o laudo apresentado pela dona do animal e as fotos da cadela morta servirão para elaborar um termo circunstanciado de infração penal, por crueldade contra animais. ''Existem provas testemunhais do que foi feito com a cadela e isso ajuda no processo'', disse. A indiciada no inquérito será chamada a depor e o termo será encaminhado ao Juizado Especial Criminal.
A dona da cadela está cuidando dos filhotes com leite em pó até que eles fiquem maiores e possam ser doados. ''Ela privou os filhotes do convívio da mãe. Não quero nenhum tipo de indenização, mas espero que ela nunca mais faça isso. E que isso sirva de exemplo para outras pessoas também'', afirmou.
A reportagem conversou com a mulher suspeita de envenenar a cadela. A camareira Rosilene da Silva, 35 anos, nega a acusação. ''A cadela morreu eletrocutada na cerca elétrica do vizinho'', declarou.
Rosilene disse que a ameaça de matar a cadela foi feita pela filha de 14 anos. ''Ela disse que mataria a cadela, caso o cachorro dela morresse. Mas ela só falou, não fez nada'', defendeu a mãe. Segundo Rosilene, o cachorro atacado pela cadela morreu na quinta-feira.
A camareira declarou que tentou fazer com que um veterinário acompanhasse os exames na cadela, o que não teria sido permitido pela vizinha. Rosilene também registrou queixa contra a comerciante na 10 Subdivisão Policial (SDP) e na Delegacia da Mulher, por causa de ofensas feitas pela vizinha. O caso será apurado pela polícia.

mockup