Comerciante denuncia violação de correspondência
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2003
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
As cartas podem trazer boas ou más notícias. No caso do comerciante de Londrina, Antônio Carlos Cotrim, de 60 anos, a decepção não foi com o conteúdo, mas com uma correspondência de parentes da França que chegou violada, na última semana. De acordo com Cotrim, o próprio carteiro que entregou a carta alertou para o envelope rasgado, mas mesmo assim deixou a correspondência na ''caixinha''. ''Acredito que não foi um acidente, mas que a carta foi aberta por má-fé'', afirmou. Dentro da carta havia um calendário, uma foto e um cartão de Natal.
O comerciante também estranhou o fato de que a carta chegou mais de 30 depois de postada. O carimbo mostra que a carta foi postada no dia 20 de dezembro do ano passado, mas só chegou ao destino no último dia 23. Acostumado a receber cartas de parentes do exterior, ele afirmou que a correspondência não demora mais que 10 dias para chegar ao destinatário no Brasil. Cotrim procurou os Correios, mas não ficou satisfeito com o atendimento.
O comerciante não pretende entrar com algum tipo de ação contra os Correios, mas acha importante alertar a população, principalmente porque conhece casos de pessoas que mandam dinheiro nas cartas. ''Liguei nos Correios e eles falaram que iam tomar uma providência, mas achei o atendimento displicente, deu a impressão de que receber uma carta aberta é uma coisa corriqueira'', reclamou.
Segundo o Procon, a violação de correspondência é caracterizada na Constituição Federal como crime, e o órgão pode ser acionado em casos como este. Ontem, o gerente de planejamento dos Correios em Londrina, Antonio Gonçalves Ribeiro, disse que casos de correspondências abertas ocorrem ''muito remotamente''. Ele orientou o cliente a procurar os Correios para que registre formalmente a reclamação. ''Só desta maneira a nossa equipe de auditoria poderá verificar se houve violação e se ocorreu dentro do Brasil'', afirmou. Segundo Ribeiro, dependendo do caso o cliente poderá ser ressarcido.


