Comerciante denuncia PM por tortura
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2004
Marta Medeiros<br>Equipe da Folha 
Maringá - O comerciante Carlos Alexandre Manfrinato, 36 anos, de Cianorte (80 km a leste de Umuarama), denunciou ontem a Polícia Militar (PM) de Maringá por prática de tortura e prisão ilegal. Manfrinato foi preso na tarde de terça-feira pela polícia, junto com um filho de 15 anos, por suspeita de envolvimento em uma quadrilha de roubo de caminhão. Segundo o comerciante, a polícia o levou, junto com o filho, para o Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Maringá, às 16 horas, mas só por volta da meia-noite o menor foi liberado e Manfrinato apresentado na 9 Subdivisão da Polícia Civil.
Conforme o comerciante, três policiais o torturaram por meio de tentativas de estrangulamento e também com o uso de força e pressão na região do ouvido. Manfrinato afirmou na delegacia que a tortura foi praticada por três policiais que retiraram do uniforme a tarjeta de identificação. O comerciante disse ainda que pode reconhecê-los, mas antecipou que se trata de um policial da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone) e outros dois oficiais, cujas patentes seriam de aspirante e tenente.
Segundo a PM, o comerciante foi preso após uma denúncia anônima informando que pessoas em uma caminhonete Blazer, estariam ''escoltando'' dois caminhões. Na abordagem, o comerciante foi preso com uma pistola automática, documentos e placas de caminhão.
Manfrinato afirmou que as placas e documentos são de caminhões reformados por ele, no comércio que mantém em Cianorte, e que a pistola tem registro e porte. Logo após a prisão, os policiais ainda teriam invadido a casa da mãe do comerciante Manfrinato estaria deixando o filho na casa da avó e apreenderam uma carabina. ''É uma arma antiga do meu pai e os policiais disseram que se eu não assumisse o porte da espingarda iriam prender a minha a mãe'', disse o comerciante.
Desde domingo, uma equipe da P2 (polícia especial) mantém investigações sobre desmanches de caminhão porque uma carreta roubada no dia 24 deste mês, de uma transportadora de Curitiba, foi localizada em uma cidade próxima de Maringá. O cavalo mecânico da carreta foi encontrado no pátio de um posto de combustíveis em Maringá e a polícia ainda descobriu um barracão com outros cinco caminhões com sinais de adulteração nos chassis. Segundo a PM, o dono do barracão já foi identificado, mas até ontem não havia sido localizado pelos policiais.
O comando do 4º BPM de Maringá informou ontem que está verificando as circunstâncias da prisão do comerciante. Já a Polícia Civil deve abrir um inquérito para apurar a denúncia de tortura contra o comerciante, que passou ontem por exames no Instituto Médico Legal (IML) de Maringá.


