Comerciante coloca porta giratória em lotérica
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quinta-feira, 19 de abril de 2007
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Cambé - Um comerciante de Cambé cansou de viver preocupado com a falta de segurança. Depois de sofrer três assaltos a mão armada em 40 dias, Jean Carlos Bissochi, dono de uma casa lotérica no Jardim Novo Bandeirantes, resolveu instalar uma porta giratória na entrada do estabelecimento. Trata-se, segundo ele, de procedimento inédito dentro da rede de casas lotéricas do Paraná.
Há 11 anos trabalhando no bairro, Bissochi disse que já ''não aguentava mais'' a violência. Nesse período, ele sofreu nove assaltos e disse que se não tivesse colocado a porta, ''já não estaria mais trabalhando no bairro''. ''Instalei a porta em novembro do ano passado. Não estava dando mais. Vivíamos preocupados com a possibilidade de um novo assalto. Além do prejuízo financeiro, o pior mesmo acaba sendo o emocional da gente'', comentou.
Para o comerciante, a medida é um investimento a longo prazo e que tem deixado não só ele, mas os funcionários e clientes da lotérica, mais aliviados. ''Consegui comprar a porta já usada e pedi para instalarem. O custo de uma porta como essa pode ser de até 12 mil reais. Agora estamos mais tranquilos, pois qualquer pessoa que tenta entrar com algum tipo de metal é parada'', disse.
Para a cliente Dolores Martins, a porta giratória traz tranquilidade. ''Vim aqui uma vez e resolvi voltar. Não me incomodo nem um pouco com a porta. Acho que com a porta a gente pode ficar bem mais a vontade aqui dentro'', comentou.
Ao todo, em Londrina existem 27 casas lotéricas. Em Cambé, são três. Segundo o gerente regional de canais da Caixa Econômica Federal, José Roberto Mateus, responsável pela rede de casas lotéricas, o número de assaltos nesses estabelecimentos tem diminuído nos últimos quatro anos. Medidas de segurança, como o transporte de valores que passou a ser feito por uma empresa especializada e a instalação de um cofre, conhecido como ''boca de lobo'', que só funcionários do carro-forte conseguem abrir, são ações que contribuem com a segurança.
''Antes as lotéricas só recebiam pagamentos ou outras transações em que a casa acabava acumulando uma quantidade grande de dinheiro. Hoje isso não acontece mais. As lotéricas fazem pagamentos de benefícios e diversos outros procedimentos que acabam deixando muito pouco valor em espécie. A tendência é bem essa, de que se mantenha o mínimo de dinheiro nas casas. A lotérica do Jardim Novo Bandeirantes é um caso isolado que se deu por conta da realidade daquele bairro'', afirmou o gerente.
Para o presidente da Federação Nacional dos Lotéricos, Aldemar Mascarenhas, o número de assaltos caiu pela metade nos últimos 18 meses. ''As ações como investimento em vigilância e em câmeras de segurança ajudaram a reduzir os assaltos, mas estamos trabalhando e cobrando mais investimentos no setor'', garantiu. (Colaborou Fernando Rocha Faro)


