Icaraíma - Sem poder interferir nas placas de sinalização do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), um comerciante de Icaraíma (67 quilômetros a noroeste de Umuarama) adotou uma forma diferente para atrair para a cidade os caminhões e carretas que cruzam o complexo de pontes sobre o Rio Paraná, em Porto Camargo, na divisa com Mato Grosso do Sul. Jesus Mário Gonçalves de Oliveira, o ''Jurupita'', instalou um aparelho de rádio amador PX em sua churrascaria, na saída para Ivaté, e com isso tem atraído os caminhoneiros para seu restaurante.
Como a maioria dos caminhões tem o sistema de comunicação, Jurupita usa o rádio para convencer os motoristas que o trajeto por Icaraíma é melhor e, claro, aproveita para fazer propaganda do estabelecimento. ''A gente fala com os motoristas pelo rádio, avisa que o caminho por aqui está melhor, é 10 quilômetros mais curto e convida o companheiro para almoçar ou jantar'', conta. A estratégia tem funcionado. A churrascaria, que antes da inauguração da ponte servia menos de 30 refeições por dia, agora vende mais de 150, um aumento de mais de 300%.
Pelo menos por enquanto, Icaraíma está ganhando de Vila Alta a disputa pelo tráfego gerado pela ponte de Porto Camargo. Além do rádio amador de Jurupita, o péssimo estado de conservação da PR-489, entre Vila Alta e Umuarama, tem convencido muitos motoristas a seguir a outra rota, a PR-089, entre Ivaté e Umuarama. Esse caminho obriga os veículos a passar por Icaraíma. Quem segue para Vila Alta, passa apenas pelo trevo de entrada da cidade.
A ''briga'' pelo movimento da ponte começou logo depois da inauguração em março do ano passado. O DER instalou sinalização orientando os motoristas a seguir por Vila Alta, o que irritou os comerciantes de Icaraíma. As placas do DER chegaram a ser destruídas e substituídas por outra indicando o caminho para Ivaté. O órgão, que confiscou a placa clandestina e repôs a sinalização original, alega que a PR-089 é mais resistente para o trafego pesado. Antes da ponte, a região vivia isolada. Agora, cerca de 800 veículos e caminhões de carga cruzam as rodovias diariamente.

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