Comerciante acusado de destruir capela é indiciado
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sexta-feira, 19 de setembro de 1997
Alexandre Sanches Londrina 
A Polícia Civil de Sertaneja (63 km ao norte de Cornélio Procópio) abriu inquérito criminal para apurar responsabilidades na destruição da Capela Mãe Peregrina de Schoensttat - imagem que acompanha novenas nas casas dos fiéis. Na denúncia, formulada pelo padre Aparecido dos Santos Francelino, 34 anos, o comerciante Sebastião Jorge Miranda, 44 anos, membro da Igreja Universal do Reino de Deus, é acusado de ter destruído a capela e a imagem que estavam na casa dele no último dia 8. Ele é casado com uma catequista que faz a novena periodicamente.
Segundo padre Francelino, no dia 8 a imagem foi levada à casa do comerciante que já foi católico. A mulher dele recebeu a imagem. Quando Sebastião chegou em casa no final da tarde, houve discussão. Ele jogou a imagem no chão e pisou em cima, relatou. O padre só ficou sabendo da destruição da imagem no dia seguinte, através de uma mulher que cuida das capelinhas no bairro.
A notícia se espalhou na cidade e padre Francelino teve que intervir. As pessoas - especialmente católicos - se revoltaram com a história e tentaram quebrar a casa do comerciante. Não podemos combater o comportamento do Sebastião com a violência. Se não cuidarmos, casos como esse viram briga religiosa. É revoltante o que ele fez, mas temos que nos unir na fé e respeitar a religião dos outros, afirmou.
O padre procurou a polícia e registrou queixa de crime de vilipêndio. Foi feito, então, um termo circunstanciado. Na semana passada, na comarca de Cornélio Procópio, houve uma audiência na qual Sebastião Miranda foi sentenciado a prestar trabalhos na comunidade durante seis meses.
O comerciante não aceitou a sentença e a Justiça determinou então a abertura de inquérito policial para apurar responsabilidades. Todas as testemunhas já foram ouvidas. Ontem de manhã, Miranda disse à polícia que não tem nada contra a religião e que tudo aconteceu durante uma discussão familiar.
Ontem à tarde, Miranda disse à Folha, por telefone, que não tem nada a dizer sobre o caso, por enquanto. Apesar de ter 30 dias para concluir o inquérito, a polícia deve enviá-lo à Justiça na próxima semana.


