Comercialização livre no Paraguai
O comércio de medicamentos abortivos, notadamente o Cytotec, no Paraguai acontece como o de qualquer outro produto - lícito e ilícito - nas ruas, becos e vielas entre as barracas de camelôs de Ciudad Del Este. Da mesma forma que disputam e praticamente obrigam os visitantes a comprarem todo tipo de quinquilharias, os ambulantes também oferecem os remédios e até ensinam como usá-los.
Na última semana, a FOLHA visitou o país vizinho. Há poucos metros da aduana paraguaia, um entregador de panfletos de lojas de eletrônicos se aproximou com a intenção de atrair mais um cliente. Diante da recusa por aquele tipo de mercadoria, ele se adiantou: ''O que está procurando? O que quer? Fala que eu arrumo?'' Ao ouvir que estávamos à procura do abortivo, ele fez sinal com a cabeça e indicou para segui-lo.
Alguns metros adiante, na porta de um dos shoppings mais visitados de Ciudad Del Este, ele inquiriu um outro ambulante que vendia meias. O homem pegou uma sacola numa floreira da entrada lateral do shopping e passou para o colega paraguaio, que indicou para que o seguíssemos até uma praça próxima. ''Quantos precisa?''
A reportagem comprou uma cartela com dez comprimidos por R$ 70 (cerca de US$ 40). Questionado sobre os riscos, ele alertou que era preciso tomar um comprimido. Caso não surtisse efeito, era para aguardar 24 horas e tomar outro. E emendou: ''leva uma caixa com 30 e faço por US$ 100 para você''. Diante da recusa, virou as costas e desapareceu em meio à multidão. Toda a negociação durou cinco minutos.
A compra do medicamento foi feita a poucos metros de policiais fardados. Na aduana, tanto paraguaia quanto brasileira, a fiscalização não ofereceu qualquer tipo de dificuldade para ingressar no Brasil com uma cartela de abortivo. (L.A.)





