Comercialização de passes termina em agosto
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quinta-feira, 30 de junho de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A comercialização de passes de ônibus está com os dias contados. Como estava previsto no início do processo de bilhetagem eletrônica, em fevereiro do ano passado, os usuários do transporte coletivo terão apenas duas alternativas para pagar a tarifa: cartão transporte ou dinheiro vivo. A data limite para venda dos passes é 20 de agosto, mas o recebimento dos comercializados antes deste prazo tem validade ilimitada.
De acordo com estimativa da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), os próximos dias servirão para que uma minoria adapte-se ao novo sistema. Hoje, 85% dos cerca de 100 mil passageiros do transporte público usam o cartão transporte. Os supostos benefícios do modelo de cobrança eletrônica, no entanto, não são unaminidade entre os usuários dos coletivos.
Uma das principais falhas apontadas por passageiros é não ter como consultar a quantidade de créditos do cartão. A informação só pode ser obtida na passagem pela catraca do coletivo ou terminal. O resultado: usuários são obrigados a descer dos ônibus ao constatar que estão sem crédito. A responsável pelo setor de Planejamento de Trânsito da CMTU, Rosimeire Suzuki Lima, disse que a companhia não tem projeto para implementar um sistema de consulta de créditos.
A falta de dinheiro para abastecer o cartão também é apontada como um desestímulo para o uso do novo sistema. Moradora do Jardim Piza (Zona Sul), a estudante Franciela Siqueira, 16 anos, acha ''difícil ter dinheiro para colocar vários créditos e mais fácil ter trocado para pagar apenas a viagem.'' Por outro lado, elogia a segurança. ''Teria menos assaltos nos ônibus se todo mundo usasse o cartão'', avalia.
A zeladora Rosane Magalhães, 45, faz parte da maioria que já aderiu ao novo sistema. Ela trocou o passe de papel pelo sistema eletrônico um ano atrás. E não se arrepende. ''Já me acostumei. Prefiro o cartão porque é mais difícil de perder'', opina. Mas quando o extravio ocorre, a orientação é bloquear os créditos o mais rápido possível, através do telefone 0800-400-7020.
Para Rosimeire, a bilhetagem eletrônica também vai reduzir as fraudes. Os vendedores informais das imediações do Terminal Central já estão perdendo espaço com a escassez dos passes de papel. Segundo cálculos dos próprios ambulantes, somente cerca de 20 dos 80 vendedores que atuavam no local insistem na atividade. ''Quando acabar com o passe de papel, a CMTU vai ter que arrumar emprego para todo mundo aqui'', revolta-se um ambulante, que preferiu não se identificar.
Outro possível efeito da bilhetagem eletrônica é o fechamento de postos de trabalho. No entanto, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Rodoviário de Londrina (Sinttrol), João Batista da Silva, disse que a extinção dos passes de papel não deve implicar em demissão de cobradores. A manutenção dos empregos, segundo Silva, é um compromisso firmado no contrato de concessão do serviço. ''O cobrador é um fator de segurança do ônibus. Ele não cobra passagem apenas, mas é um companheiro de trabalho e auxilia o motorista quando necessário'', afirma.
A opinião é corroborada pelas empresas responsáveis pelo transporte urbano na cidade. O gerente administrativo da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), José Carlos de Lima, garantiu que os postos de trabalho serão mantidos. ''O dinheiro não vai deixar de ser aceito. Por isso, o cobrador será sempre necessário. Além disso, ele é responsável por conferir as carteirinhas de estudante e de idoso e pela campainha para abrir e fechar a porta com segurança'', enumera. Lima disse ainda que a empresa está contratando cobradores. A assessoria de imprensa da Francovig declarou que a empresa tem compromisso firmado com a prefeitura e que não há risco de demissões.


