Comer todo dia é um desafio
O barraco é pequeno. As paredes são revestidas por cobertores, única forma de impedir alagamentos e a entrada do vento. O teto é cheio de buracos. O chão, coberto por plástico. Não há banheiro. Os móveis: uma cama de casal, geladeira, fogão e televisão.
O endereço é Rua 64, no Jardim União da Vitória (Zona Sul de Londrina). A dona da casa é a diarista desempregada Márcia Gamas, 28 anos. O espaço é dividido com os quatro filhos, de 9, 7, 3 e 1 ano. Cada um de um pai. O banheiro era no quintal, mas foi derrubado pela chuva. A fiação elétrica exposta torna rotina o medo de que o barraco pegue fogo. Dormem todos na mesma cama. Não há mesa para as refeições. E nem sempre têm o que comer.
A renda da família vem do Bolsa Família e da ajuda mensal do pai de uma das filhas. Outro contribui esporadicamente, com fraldas para a criança mais nova e com o gás de cozinha quando falta. Os outros dois nunca oferecem auxílio.
A renda, portanto, não passa de R$ 275,00 por mês. O que recebe, usa para pagar a cesta básica já consumida. O feriado, aguardado pela maioria, é motivo de preocupação. Na escola e na creche as crianças têm refeições garantidas. Mas não há vaga para a mais nova, o que a impede de trabalhar fora. Para não ficarem sem comer, almoçam ou jantam na casa da avó das crianças, mas nem sempre tem para todo mundo.
Sem esperança, Márcia pensa em mudar-se para Nova Fátima (31 km ao sul de Cornélio Procópio), onde vivem alguns familiares. Ela pretende vender o barraco para comprar uma ''datinha'' e tentar vida nova longe do União da Vitória. E longe de tantas privações. (F.R.F)





