Alimentar os estudantes no intervalo das aulas é a função principal da merenda escolar. Em alguns colégios, entretanto, o lanche tem também o objetivo de promover a educação nutricional, apresentando aos alunos alimentos saudáveis e estimulando o desenvolvimento de bons hábitos. A escolha correta das matérias-primas utilizadas no preparo das refeições, a criatividade e a política do bom exemplo são algumas dicas para incentivar o consumo de pratos que agradam o paladar e fazem bem à saúde.
No Colégio Estadual Albino Feijó Sanches (Zona Sul de Londrina), a merenda é preparada com capricho e chama a atenção pela qualidade e variedade. As matérias-primas, enviadas de forma padronizada pelo Governo do Estado ganham o reforço de frutas, verduras, carne moída e temperos adquiridos com uma verba disponibilizada pela Secretaria Estadual de Educação. Verduras produzidas na horta mantida pelos alunos do curso técnico de Meio Ambiente também enriquecem as refeições.
ssuntos relacionados à boa alimentação são abordados pelos professores das diferentes disciplinas. ''Os alunos até ajudam a preparar a salada como atividade de matemática'', contou a diretora Lucia Cortez Martins. Outra iniciativa da escola é reforçar a relação afetiva das crianças e adolescentes com as merendeiras. ''Quando os professores consomem o lanche e dão exemplo, os estudantes aceitam melhor novos alimentos'', acrescentou.
Arroz com frango, polenta com carne moída, macarrão, salada de fruta com granola, leite, cereais, canjica, arroz doce e o prato preferido dos estudantes - arroz com feijão e salada de repolho, tomate e cenoura - são algumas das variações do cardápio.
Para as nutricionistas Simone Martins Libos e Beatriz Lourenço Venegas, professoras da Unopar, a merenda oferecida pela escola é adequada e satisfaz as necessidades dos alunos. ''Poderia haver menos oferta de produtos enlatados e açucarados'', ponderaram, lembrando que o fato dos alimentos serem enviados de forma padronizada pelo Estado dificulta muitas mudanças.
Sobrepeso preocupa
Desde o ano passado, junto com outros docentes e alunos da universidade, as duas nutricionistas desenvolvem na escola um projeto de práticas interdisciplinares aplicadas, que visa proporcionar aos estudantes do curso de Nutrição a vivência dos conteúdos aprendidos em sala de aula.
Numa das etapas do projeto, elas realizaram uma análise nutricional de alguns alunos e constataram que 19% estão com sobrepeso, 2% apresentam baixo peso e 79% têm peso adequado. Para as profissionais, a incidência de sobrepeso é alta. ''Essa tem sido uma tendência entre a população escolar de todas as classes sociais, indicando que uma parcela dos estudantes não consome alimentos de qualidade'', analisaram.
De acordo com elas, enquanto algumas crianças chegam na escola sem comer, outras fazem as refeições em casa e repetem novamente no intervalo das aulas, consumindo mais calorias que o necessário. ''O mais adequado seria oferecer a merenda individualizada'', consideraram.
Apesar da obesidade ser uma questão de saúde pública, as nutricionistas acreditam que a escola poderia amenizar o problema estimulando a boa alimentação. ''A merenda deve ser educativa, auxiliando na correção dos hábitos. O ideal seria que a educação alimentar integrasse oficialmente a grade curricular, com orientação de um profissional de nutrição.''

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