'Comendo' livros
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terça-feira, 04 de novembro de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
''Livro você não lê, você come. Cada página é uma garfada.'' Simples assim foram as palavras do escritor e jornalista Wagner Costa aos alunos de primeira a quarta séries do ensino fundamental de uma escola de Londrina. Na semana passada, os estudantes de sete a dez anos participaram de um bate-papo com o profissional, que rascunhou suas primeiras frases aos nove anos, inspirado pela primeira professora.
''Escrever para crianças e adolescentes é, para mim, um gesto de convicção, de contribuir para a formação de caráter e integralização. O encanto da vida está na infância'', definiu o escritor, que já produziu 19 obras e para quem ''livro é quem nem filho''. Entre as produções mais famosas, livros que falam de amizade, autoconhecimento, família e também da banalização da mídia e o consumo de drogas.
Repórter policial, Costa não vê no sensacionalismo um jornalismo verdadeiro, apesar de considerar a reportagem policial ''a cara do Brasil''. ''O repórter deve ser profundamente ético e um produto contra o meio, não pode espetacularizar.''
Formador de opinião, o escritor costuma debater temas polêmicos nas palestras com os jovens, mas sempre com bom humor, tática que garante a simpatia e atenção do ouvinte. ''A bandeira das crianças hoje é comprar. É a velha questão de valores do ser ou ter. Apesar da nova geração não ter discurso, os jovens sabem o que é certo e errado. Eles só não sabem exteriorizar.''
Para ele, cabe à literatura formar os cidadãos, já bem informados pela mídia. ''A literatura é lúdica, um jogo, uma brincadeira, mas como o amor não admite verbo no imperativo. O que mata o livro é a obrigatoriedade de ler'', opinou Costa, sugerindo o professor como referência de leitura para a criança.
''A professora precisa incorporar, assumir a paixão pelos livros, e também aproximar a literatura da realidade do aluno para que a mensagem tenha significado'', complementou o escritor.
Amizade e preconceito
Durante o bate-papo realizado no Pontual Centro de Ensino, questões como ''qual a moral da história'', ''como você escreveu o livro'', ''você se emociona quando escreve'', ''você já precisou de ajuda de alguém para escrever'' permearam a conversa, que fez a criançada gargalhar sem parar.
''Acompanho o trabalho do Costa há quatro anos. Ele tem uma literatura poética, é um encanto. Ele provoca uma aproximação entre escritor e leitor que as crianças nunca viram'', comentou a professora de literatura do Pontual, Juliana Canesin.
Na fila para conseguir um autógrafo em seu exemplar de ''O Segredo da Amizade'', Rafael dos Santos Bueno, 7 anos, estava tão entusiasmado que mal conseguia dizer que achou a palestra ''muito legal''. O colega Pedro Freire, 7, que gosta de ler livros de aventura, achou o escritor ''diferente do que imaginava, mas um diferente bom. Foi superlegal'', confessou.
As amigas Barbara Jorge, 9, e Julia Barzon, 9, também gostaram de saber mais sobre o autor da obra que discute amizade e preconceito. Exibindo um autógrafo rabiscado no braço, Barbara achou o livro ''bem gostosinho de ler''. Já Julia, que não conhecia o livro, disse que ''vai ser muito legal ler a história''. ''Leio na hora do lanche, no final da aula. Acho mais legal ler do que ver tv. Com a tv a gente não aprende nada, desenho não ajuda em nada'', comparou.


