Comemorações tamanho família
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
A mudança de comportamento dos casais nas últimas décadas tem feito com que o modelo das famílias dessa geração tomasse outro formato. Com um ritmo de vida diferente, movido quase sempre pelo desejo de ascensão profissional, os filhos acabam ficando em segundo plano.
O resultado são grupos cada vez menores, que deixam mais distante a imagem das grandes famílias reunidas no almoço de domingo. Mas ainda há aquelas que resistam ao tempo e mantêm as tradições com a prole que se renova. São verdadeiros exemplos de união e causam admiração em quem não compartilha da mesma fartura familiar.
Reunir todos os membros parece uma tarefa difícil, mas não para a família Medeiros, que tem grande parte radicada em Lerroville. Vindo do Norte do país, Eustáquio Teotônio de Medeiros, já falecido, se casou com Maria Rita de Medeiros hoje com 94 anos e teve oito filhos. Daí, a conta já começa a se perder. Atualmente são vários netos, bisnetos e um tataraneto, e o sítio em que moravam, de quatro alqueires, hoje abriga alguns deles, que além de residência, virou reduto para as comemorações e confraternizações.
Um dos netos, Flademir de Medeiros, conta que seu pai, Francisco filho de dona Maria gostava muito de reunir toda a família. Sempre que podia ele dava um jeito de realizar alguma comemoração. Ele gostava muito de fazer um forró. Agora, meu irmão que fica à frente da organização, diz Flademir, que está no sítio com seus filhos e esposa. Antes, fazíamos festa no Natal com todo mundo, mas com minha avó adoentada demos uma parada. No entanto, todos os anos fazemos uma festa junina. Na última, reunimos mais de 100 pessoas. Vieram parentes até do Rio Grande do Norte, comentou.
Para reunir todos, eles lançam mão do trabalho de formiguinha. Avisamos algumas pessoas que vão falando para outras. Nem dá tanto trabalho assim. Todo mundo já espera a festa e eles mesmos ligam só para confirmar. Flademir conta que são dois dias de festa, com direito a quadrilha improvisada. Todos se caracterizam, dançam e brincam a noite toda. O pessoal acaba nem dormindo, mas se ficam cansados, se ajeitam do jeito que dá.
A família é tão animada e unida, que além das festas, quatro netos trabalham juntos. Quem gosta dessa relação é Floretilde, mãe de Flademir, viúva de Francisco. É muito bom ter a família trabalhando e morando junta. Me sinto abençoada de ter uma família grande e ainda poder compartilhar da presença deles todos os dias, revelou. Ela conta ainda que a capela, que ficou pronta poucos anos atrás, virou um motivo a mais para reunir os familiares. Minha neta foi batizada aqui na capela do sítio recentemente. Foi uma linda cerimônia que acabou em festa e reunindo muita gente, declarou.


