Imagem ilustrativa da imagem Comemorações e reclamações
| Foto: Anderson Coelho
Recape no Jardim Esperança foi concluído na quarta-feira



Foram muitos anos de espera. Tantos que até fizeram a aposentada Maria do Carmo, de 83 anos, perder as contas. Mas a angústia que incomodava não só a ela terminou nesta semana com o recapeamento asfáltico da rua onde mora, a Nikita Polskikh, no Jardim Esperança (zona sul de Londrina). "Desde que mudei para cá, há mais de 20 anos, a gente espera por essa obra."
Muito mais do que oferecer uma rua em melhores condições para o tráfego de veículos, o recape vai acabar com um problema que insistia em atormentar a vida da aposentada. "Era uma sujeira, a gente não vencia limpar o quintal da casa de tanta poeira e pedra que vinha da rua", citou Maria do Carmo. "Agora vai ficar bonitinho, dá até gosto de sair na rua."
As obras no Jardim Esperança fazem parte da terceira etapa do projeto de revitalização de ruas e avenidas de Londrina, iniciado em 2014. No total, quase 40 vias da zona urbana da cidade serão contempladas nesta fase da operação. Os recursos, na ordem de quase R$ 3,5 milhões, foram obtidos através do sistema de financiamento de ações municipais do Paranacidades, pelo governo do Estado.
O recape no Jardim Esperança foi finalizado na quarta-feira (20). O bairro, que foi o primeiro a ser contemplado nesta fase do projeto, teve boa parte de suas ruas recuperada. O funcionário público Edvaldo Rodrigues reside há poucos meses na Rua Francisco de Carvalho. Ele conta que a situação do asfalto era deplorável antes do recape. Como a via não tem saída, muitas crianças gostam de brincar no local, mas a condição do asfalto atrapalhava até isso. "Agora melhorou, eles podem andar de bicicleta tranquilamente, sem perigo de se machucarem".
Mas no mesmo bairro tem também quem não esteja tão satisfeito assim. A autônoma Lucimar Francisco não gostou nada de saber que as obras já haviam terminado e que a rua onde mora, a Antônio Niero, só recebeu asfalto novo em algumas partes. "Infelizmente vamos continuar convivendo com a poeira e as pedras, e a tendência é piorar. É o que temos, mas o imposto, que é caro, nunca falha", ironizou.

AVALIAÇÃO
O secretário municipal de Obras, Walmir Matos, justificou que a vistoria para escolher as vias a serem recapeadas foi realizada no início de 2015. "Temos até sofrido algumas críticas, mas na época as avaliações dos técnicos é de que essas ruas não estavam necessitando, mas hoje a necessidade pode ser diferente. Infelizmente não posso executar serviço em local que não esteja no contrato, pois ele é bem explícito", explicou.
A poucos metros dali, na Rua Ilha de Malta, no Jardim São Paulo, o aposentado Romero Andrade espera ansioso a chegada das máquinas para consertar o asfalto da via onde mora há quase 20 anos. A situação nem é tão crítica, mas ele cobra melhorias para não ver a situação piorar daqui pra frente.
Mas pelo planejamento da secretaria, o aposentado terá que esperar. A rua não está na lista de vias que serão contempladas nesta fase do recape. Na quinta-feira (21), os funcionários da empresa trabalhavam na Rua Dom Aquino, no Jardim Colonial (zona sul). O bairro Vale do Cambezinho, na mesma região, têm várias vias que serão recapeadas. As ruas Sena Martins, da Lapa, Santa Terezinha e Theodoro Victorelli também vão passar por melhorias, assim como a Catarina de Bora. Via importante de ligação entre as zonas leste e central da cidade, ela está bastante deteriorada.
"Eles vêm, passam essa tapa-buraco, mas fica pior. Aqui passa muito carro o dia todo, ônibus também, e ninguém aguenta mais limpar", contou o gerente Anderson Misuno, filho de uma moradora. Por lá, as obras já começaram com a substituição das tampas e o conserto do asfalto em torno das bocas de lobos. A previsão é de que as obras sejam finalizadas em até 90 dias, no máximo.

mockup