Erika Wandembruck
De Curitiba
Especial para a Folha
A dona de casa Júlia Lima, 65 anos, perdeu um filho há dois anos e meio e desde então trabalha como voluntária no Hospital de Clínicas, em Curitiba. ‘‘Sofri muito com a morte do meu filho e então pensei que podería dar aos outros o amor que eu sentia por ele’’, diz emocionada. Na última terça-feira Júlia se vestiu de Papai Noel e entregou presentes às crianças internadas no HC. ‘‘Proporcionar um sorriso a uma criança é tão gratificante que não há palavras para expressar tamanho sentimento’’, conta ela. O garoto Antônio dos Santos, internado há dois meses e longe dos pais que vivem no interior, ficou encantado com o Papai Noel que o seguia de cadeira de rodas pelo hospital.
Júlia sente-se ressentida por não poder distribuir presentes aos 600 portadores de hanseníase internados no Hospital São Roque, em Piraquara. ‘‘No ano passado fizemos uma festa linda lá, mas esse ano não consegui recursos’’, lamenta.
Para o militar aposentado Miguel de Almeida Rodrigues, 60 anos, voluntário do HC há 4 anos, o sofrimento dos pacientes marca o seu trabalho, mas acredita estar dando uma contribuição importante à comunidade. ‘‘Não fico alegre pois vejo e convivo com a dor das pessoas, mas me sinto pleno, realizado enquanto ser humano’’. desabafa.

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