Começo difícil serviu de estímulo
Márcia HilgembergePersistênciaJoão Rurak: o sofrimento e as dificuldades não me fizeram desanimarEle nasceu na Ucrânia e chegou em Prudentópolis com os últimos imigrantes. O aposentado João Rurak, 77 anos, tem muito o que contar sobre a colonização dos ucranianos na região. O sofrimento e as dificuldades nunca o fizeram desanimar. Foi acolhido com a mulher e um filho por padres, que destinaram uma casa para que ele pudesse trabalhar na lavoura. O trabalho fatigante de seis meses foi uma frustração. A colheita não deu nem para comprar as roupas que estávamos necessitando.
Decepcionado com a falta de condições para plantar, partiu para a construção de casas, onde trabalhou por um ano. Mas a construção começou a ficar escassa. Então me vi obrigado a aceitar emprego na delegacia, conta. Murak explica que foi designado a cuidar de cinco detentos. Sofri muito nesta época, diz, não contendo as lágrimas.
Mais tarde, já acostumado com os prisioneiros, Murak começou a construir a nova sede da delegacia com a ajuda deles. O prédio resiste até hoje. Murak relata que o nervosismo causado pela crise financeira fez com que tivesse um derrame cerebral ainda jovem. Quando já apresentava melhora no estado de saúde, assumiu o cargo de zelador do cemitério no lugar de sua mulher, onde trabalhou por 18 anos.
Para Murak, Prudentópolis acabou se transformando na cidade dos ucranianos. Apesar de tudo que enfrentamos, nós conseguimos preservar as nossas tradições. Acho que na verdade nós mais influenciamos do que fomos influenciados, afirma.





