'Comecei a ver um lado dele que eu não conhecia'
Durante nove meses a trabalhadora autônoma Fernanda (nome fictício), 31, suportou um relacionamento abusivo. No período de namoro, o companheiro era gentil, educado, respeitoso e não se cansava de elogiá-la. "Ele era um príncipe de filme, um lord, jogava a minha autoestima lá em cima", recorda ela.
Foi só após o casamento que ele começou a revelar um outro lado de sua personalidade. "Menos de um mês depois de nos casarmos, ele teve uma crise nervosa, uma situação de pânico, onde eu comecei a ver um lado dele que eu não conhecia. A partir daí, começou a falar que eu estava feia, magra demais, que eu era burra. Ele me comparava com as ex-namoradas dele, falava o que elas faziam e eu não. Dizia que eu não servia para nada e que as outras eram melhores do que eu. Perguntava a ele por que, então, ele tinha se casado comigo e não com elas", conta.
Diminuir a autoestima da esposa foi a primeira demonstração de violência à qual se seguiu uma série de abusos que só foram piorando com o tempo. Primeiro um aperto no braço, um empurrão e depois as agressões foram ficando mais intensas e ela entrou em depressão. Fernanda também foi vítima de violência patrimonial. O marido contraía dívidas e com frequência os credores apareciam na residência do casal para requisitar o pagamento do valor devido e era ela quem quitava as pendências financeiras. "Eu fiquei totalmente sem dinheiro. Me deixou sem nada, com o nome sujo e endividada."
O basta veio menos de um ano após o casamento, depois de um ato de violência extremo no qual o marido tentou matar Fernanda, que na época estava grávida. Mas sair do relacionamento não foi fácil. "Ele dizia que não iria me deixar em paz, que iria provar que eu era louca. Me ameaçou de morte e disse que iria roubar minha filha", relata. Sem aceitar a separação, no início o ex-companheiro rondava o local de trabalho e a casa de Fernanda, telefonava e enviava mensagens. Os familiares dele também passaram a incomodá-la. Para que a perseguição cessasse, ela obteve na Justiça uma medida protetiva que impede a aproximação do ex-marido.
Hoje, meses após o fim do casamento, ela ainda se recupera de todo o prejuízo emocional e financeiro decorrente desse relacionamento e, para isso, além de auxílio jurídico e psicológico, conta também com a ajuda da família. "Meus familiares me ajudam muito financeiramente e emocionalmente e faço terapia. E acima de tudo está a minha filha, que é a minha razão de levantar todos os dias da cama. Ela é meu verdadeiro amor." (S.S.)





