Kraw PenasTribunalSessão começou às 14 horas e o interrogatório dos réus iniciou-se às 17h30 e se estenderia até às 23 horasDepois de seis anos, a Justiça finalmente começou a julgar ontem o polêmico Caso Evandro, como ficou conhecido o desaparecimento e morte do garoto Evandro Ramos Caetano, em abril de 1992, em Guaratuba (Litoral do Paraná), supostamente num ritual de magia negra. Osvaldo Marcineiro, Davi Soares e Vicente de Paula, três dos sete acusados, foram a júri ontem à tarde no Fórum de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O julgamento, que deve durar pelo menos seis dias, foi transferido de Guaratuba por razões de segurança.
Celina e Beatriz Abagge, respectivamente mulher e filha do então prefeito de Guaratuba Aldo Abagge, falecido em agosto de 1995, acusadas de ser mandantes do ritual seguido de morte, irão a outro júri, no dia 23 deste mês. Airton Bardelli e Sérgio Cristofollini, os demais acusados, serão julgados num terceiro júri no dia 6 de abril. No início do julgamento, um radialista entregou à defesa uma fita cassete que conteria a gravação da confissão dos acusados sob tortura. Uma das frases: ‘‘Se você falar, não vou mais te bater’’. A promotoria aceitou a anexação da fita aos autos, mas contesta sua autenticidade. Gravações de vídeo serão exibidas em dois telões instalados na sala do tribunal.
Os réus chegaram ao fórum por volta das 13 horas, sem algemas e protegidos por forte escolta policial, mas não houve nenhum incidente. Nenhum deles quis dar entrevistas. Proteção também foi reservada para a juíza Marcelise Weber Lorite, que na véspera havia recebido, por telefone, ameaças anônimas de agressão. O delegado de São José dos Pinhais, José Roberto Jordão, começou a investigar o caso, mas em princípio pensou-se que tudo não passou de trote. O clima diante do fórum era de tranquilidade, e até o final da tarde havia pouca gente em frente ao prédio.
A sessão começou às 14 horas, com uma hora de atraso, e teve duas interrupções - uma por falta de luz e outra para esperar a chegada de uma das tesmunhas de acusação, o promotor de Paranaguá Carlos Roberto Dalcol, que analisou o primeiro laudo de necrópsia do corpo de Evandro. Por volta de 17h30, depois de nova interrupção, dessa vez para um lanche rápido, foi iniciado o interrogatório dos réus, que deveria se estender até as 23 horas, aproximadamente.
Os corpo de jurados é formado por três mulheres e quatro homens, depois de três impugnações pela defesa e pela acusação. Outros três pediram dispensa à juíza, mas o motivo não foi divulgado. Os sete finalmente escolhidos permanecerão incomunicáveis ao longo de todo o julgamento. Ontem à noite, eles foram levados à Academia Policial Militar do Guatupê, onde lhes foi reservado um alojamento. As refeições serão feitas no salão paroquial da igreja de São José dos Pinhais.
Os sete jurados não puderam ser fotografados ou filmados. As testemunhas foram liberadas e só deverão se reapresentar às 17 horas de amanhã, quando, supõe-se, terão sido encerrados o interrogatório dos réus e a leitura dos autos.
O advogado de defesa, Antônio Figueiredo Basto, tentou até o final da tarde impugnar a participação dos promotores auxiliares Celso Ribas e Raimundo Nogueira Soares, mas a juíza Marcelise Weber Lorite indeferiu o pedido.

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