Começam obras no Centro Cívico
Giovani Ferreira
De Curitiba
As obras de remodelação do Centro Cívico de Curitiba começaram na surdina. Na tarde de sábado dezenas de homens, máquinas e caminhões ocuparam de surpresa a Praça Nossa Senhora de Salete, em frente ao Palácio Iguaçu, onde integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ficaram 172 dias acampados. A chegada dos funcionários da prefeitura foi acompanhada pela Polícia Militar, que mantém viaturas de plantão desde a retirada dos sem-terra, no dia 27.
O trabalho de reestruturação começou em um dia nada comum, como se a prefeitura estivesse se prevenindo contra protestos de frentes contrárias ao projeto. O município e o governo estadual decidiram transformar a estrutura do local sem ouvir a população. Apesar de anunciar as obras logo depois da desocupação, a prefeitura alega que as mudanças já estavam previstas antes.
No sábado, as máquinas trabalharam apenas por algumas horas, tempo suficiente para retirar a grama e o calçamento exatamente do local onde estava o acampamento do MST. Também foram colocadas estacas em um dos lados da praça, anunciando o isolamento do local durante as obras, que devem prosseguir pelos próximos três meses. Nenhuma árvore foi retirada. Ontem nada foi feito.
A praça será transformada em um centro esportivo e de lazer. O presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Luiz Hayakawa, disse que a revitalização é um pedido do governo do Estado.
Para alguns arquitetos e urbanistas, a reforma significa a deturpação da proposta inicial do Centro Cívico, cujo conceito estabelece um espaço onde as pessoas possam se manifestar e protestar. Para a arquiteta Jocilena Gonçalves, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), está ocorrendo um desvirtuamento do local, com o claro isolamento do poder. Na avaliação do urbanista Marco Alzamora, a posição do governo de usar quadras para evitar protestos entra em choque com o conceito de urbanismo.





