Curitiba Daniel dos Reis da Silva, 59 anos, tem dificuldade, mas escreve o nome completo no livro de chamadas, com a preocupação de que as letras fiquem bem redondinhas. Ele está entre os 22 garis de Curitiba, inscritos no programa Paraná Alfabetizado, que começaram, esta semana, a escrever suas primeiras linhas. Até o dia 15 deste mês outras turmas em todo o Estado até completar cerca de 40 mil alunos também iniciarão seu aprendizado.
''Meu pai dizia: eu me criei burro e é assim que vou criar meus filhos'', conta Daniel da Silva, que assim como seus 13 irmãos não teve oportunidade de frequentar a escola. Mas a curiosidade e a persistência o levaram a aprender a ler. Daniel diz que palavras ''compridas'' ele tem que ler soletrando. Seu maior obstáculo, no entanto, é colocar as letras no papel e é isso que espera aprender.
A história do baiano José Catarino dos Santos, 64 anos, é parecida. Ficou órfão de mãe aos seis anos e com essa idade teve que enfrentar o trabalho na roça junto do pai. Escreve o nome e por conta própria conta ele aprendeu algumas outras palavras.
Na sala improvisada em uma casa de madeira na empresa Cavo uma das parceiras da Secretaria de Estado da Educação no programa os 22 alunos terão que passar, pelo menos, três horas por dia, nos próximos sete meses. Vontade de aprender é o que não falta, pois antes do aprendizado, eles já enfrentaram oito horas de trabalho nas ruas.
A assistente do Departamento de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Estado da Educação, Maria Clarete Barbosa, estima que, no início de setembro, será possível ter um levantamento de quantas turmas, de fato, formaram-se a partir do programa de alfabetização. Por enquanto, os números apresentados pelo governo são de 2,6 mil turmas em 226 municípios.
O programa é realizado em parceira com o governo federal e a secretaria criou turmas de alfabetização nas escolas estaduais e munícipios, igrejas, empresas, associações comunitárias e instituições. O programa oferece uma bolsa-auxílio de R$ 120 e mais R$ 7 por aluno em sala de aula, sendo que o limite máximo é de 20 alunos em cada sala de aula.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná reúne cerca de 650 mil analfabetos com mais de 15 anos.

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