Começa remoção de resíduos tóxicos
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segunda-feira, 09 de abril de 2001
Maigue GuethsDe São José dos Pinhais 
A empresa Transforma Engenharia do Meio Ambiente começou a remover, ontem, os 3,7 mil latões de resíduos tóxicos (metais pesados, borra de tinta e solventes) que estão abandonados a céu aberto desde 1995 em três áreas de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). Além dos latões a céu aberto, a Transforma constatou a existência de 400 toneladas do produto enterradas na localidade de Barro Preto. Também há denúncias, que estão sendo apuradas, de que a empresa teria enterrado galões dentro da lagoa perto do Rio Itaqui.
O lixo está depositado em três locais distintos: na área próxima ao Rio Itaqui, no Barro Preto; perto do Rio Miringuava; e no bairro Santos Dumont 4, na localidade de Xingu. Ao todo, existiam no local 8 mil latões de 200 litros cada, mas parte do material foi retirado dos depósitos anteriormente. A previsão é de que todo o material seja removido em dois meses e meio.
A retirada do produto foi determinada pela 2ª Vara da Justiça do município, que acatou denúncia feita por duas organizações não-governamentais (ONGs) ao Conselho Municipal de Meio Ambiente de São José dos Pinhais. A denúncia foi formalizada em 28 de fevereiro do ano passado e encaminhada à Procuradoria do Meio Ambiente, que abriu ação civil pública.
Os resíduos seriam provenientes de grandes empresas da Cidade Industrial de Curitiba e até de fábricas de outros Estados. Entre elas estão a Volvo, Inepar, General Motors, SLC John Deere, New Holland, Perfipar, Valeo e Singer. Estas indústrias contrataram a empresa Recobem Indústria e Comércio e Vernizes para retirar os galões e reciclar o material. O problema é que a Recobem faliu em 1995 e desde então os tambores ficaram a céu aberto. Por esse motivo, a Justiça determinou que as empresas que geraram os produtos se responsabilizassem pela remoção de todo o material.
De acordo com a diretora da Transforma, Tania Camargo Amaral, a empresa está atuando no local há um mês, fazendo a classificação do produto. O material está sendo transportado para a fábrica de cimentos Itambé, em Rio Branco do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), onde será incinerado e incorporado ao cimento, sem riscos de poluição.
O advogado e representante das empresas Volvo, Inepar, General Motors, SLC John Deere e New Holland, João Ricardo Cunha de Almeida, explicou que logo após decretada a falência da Recobem, a 2ª Vara da Justiça do município autorizou que outra empresa, a Miltons Indústria e Comércio de Tintas Vernizes e Solventes Ltda. continuasse com os trabalhos de retirada dos galões e reciclagem do material. A Miltons, no entanto, não prestou contas do trabalho realizado entre 1995 e 1998. A direção da empresa não foi localizada pela Folha. Depois da falência da Recobem, as cinco empresas retiraram todos os latões de suas responsabilidades, disse Almeida.
Ainda segundo ele, outras empresas passaram a depositar seu lixo na área mas, por enquanto, nenhuma delas está respondendo por isso. As empresas estão retirando todo o lixo depositado, mas não estão se responsabilizando por qualquer crime ambiental. Esta é apenas uma forma que encontraram de colaborar com a Justiça e provar que não agiram inadequadamente. Posteriormente, estarão buscando ressarcimento com as empresas verdadeiramente responsáveis pelos danos, que serão incluídas no processo, declarou. (Colaborou Fabiana Klein)


