Londrina – O Centro de Atenção Psicossocial (Caps 3) de Londrina, conhecido também como Caps Conviver, passa por uma reforma, que deve durar quatro meses. Serão recuperados ou substituídos paredes, portas, piso, instalações hidráulicas e elétricas, pintura, entre outros, ao custo de R$ 245 mil. As obras começaram ontem, mas o atendimento não será interrompido, segundo informações da Secretaria de Saúde.
O prédio possui 981,90 m² e a ampliação não está contemplada nos serviços, embora a coordenação já aponte que o espaço está ficando pequeno para atender as necessidades. O Caps atende 800 pessoas por mês e outras 400 por meio de atendimento domiciliar de pessoas com transtorno mental.
O centro foi fundado em 1996 em um imóvel na Rua João XXIII, no Jardim Los Angeles, e a unidade atual, localizada na Rua Alba Bertoleti Clivati, no Jardim Alto da Boa Vista (zona norte), foi inaugurada em 2004.
A terapeuta ocupacional do Caps, Maristela Handchuka, explicou que a implantação aconteceu quando começou a reforma psiquiátrica no País. O sistema de internação foi sendo substituído por uma rede de serviços territoriais de atenção psicossocial, visando a integração da pessoa que sofre de transtornos mentais à comunidade.
Maristela afirma que o maior desafio para quem trabalha na unidade é prover um ambiente com afeto e carinho. "Quando os familiares chegam com esses pacientes é porque eles esgotaram todos os recursos e já estão bem cansados", destacou. A coordenadora do centro, Isabela Pupin, afirmou que no Caps 3 os profissionais trabalham a valorização pessoal, a melhoria da autoestima e a questão do medo e da insegurança.
A coordenadora informou que o paciente passa por uma triagem feita por um clínico geral e é encaminhado para o Caps ou para a internação hospitalar. A equipe do Centro é composta por terapeuta ocupacional, psicólogo, assistente social, farmacêutico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem e psiquiatra. "Enquanto os pacientes estão aqui são oferecidas oficinas e grupos terapêuticos", destacou. Entre as atividades estão oficinas de beleza, passeio pela cidade, sessões de cinema e a confecção de um jornal chamado Zureta.

Terapia
Um paciente de 34 anos, cuja identidade será preservada, relatou sua história na instituição. Ele frequenta o espaço há 15 anos em função da esquizofrenia e disse que evoluiu muito desde então. Ele participa da terapia ocupacional, realizando atividades como pintura de quadros e confecção de pipas e de cachecóis, que pretende doar a um asilo.
Outro paciente de 25 anos afirmou que gosta do ambiente do Caps. "Aqui eu não escuto vozes; me sinto bem", relatou ele, enquanto empilhava dominós sobre a mesa.
Para os familiares dos pacientes, a existência de um espaço como o Caps é um alívio. O cuidador Almirindo Ferreira Sobrinho conta que sua irmã é atendida na unidade. "Nós somos atendidos aqui há quase 20 anos. Só precisavam cuidar melhor do prédio", destacou, informando que em dias de chuva o Caps fica alagado. "Tem muita infiltração e goteiras", criticou. Ele espera que a reforma iniciada ontem resolvam os problemas que o prédio apresenta.

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