Começa obra para sanar erosões e alagamentos na Raja Gabaglia
Com investimento de R$ 4,9 milhões da Defesa Civil Estadual, intervenção deve ser finalizada em seis meses; problemas se arrastam há anos com risco diário aos moradores
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de maio de 2026
Com investimento de R$ 4,9 milhões da Defesa Civil Estadual, intervenção deve ser finalizada em seis meses; problemas se arrastam há anos com risco diário aos moradores

Foi iniciada, nesta segunda-feira (4), a obra de reforço de galerias e drenagem no fundo de vale Córrego Água Fresca, localizado na região central de Londrina. Moradores demandam a intervenção há mais de uma década, com crateras em torno do córrego ficando maiores a cada chuva intensa. A erosão levou a barrancos nas calçadas da Raja Gabaglia e Pedro Couto - área residencial -, que foram interditadas com madeiras e barreiras de concreto, o que não impede o descarte de lixo no local. A obra irá custar R$ 4,9 milhões, com prazo de execução em seis meses.
O atual cenário é de degradação das galerias e tubulações da bacia do córrego, com estruturas danificadas que não suportam a alta vazão das chuvas, e assim, serão revitalizadas. Em dias chuvosos, o volume pode chegar a cerca de 36 mil litros de água por segundo, escoando de forma irregular para o fundo do vale, o que gera risco de desmoronamento de calçadas e da faixa de rolamento. Também foi identificado o rompimento de estruturas de drenagem, como poços, caixas e tubulações, bem como pontos de erosão severa ao longo do vale, configurando colapso parcial do sistema como um todo.
Serviços previstos
A empresa contratada via licitação vai ordenar o escoamento das águas pluviais e redirecionar a vazão da bacia, prevenindo demais danos erosivos e garantindo maior segurança à área. Os trabalhos envolvem demolições, limpeza de terreno, drenagem superficial e canalização, além da execução das galerias, dos poços de queda e de visita, das 13 bocas de leão simples, 17 bocas de leão duplas e 23 bocas de leão triplas, a escadaria hidráulica concretada, o dissipador de energia hidráulica e a limpeza.
A Rua Pedro Couto estava interditada e com o trânsito bloqueado nesta segunda, porém, o secretário de Obras Otavio Gomes garantiu que o cenário não irá se repetir durante toda a intervenção. “É uma obra que totaliza 450 metros de extensão e que vai começar de baixo para cima, recuperando o fundo de vale, recuperando os poços de queda, até o momento que a gente chega aqui (Pedro Couto), que é basicamente o meio do caminho. A partir daí, vamos interromper parcialmente a Raja Gabaglia, conclui, interrompe a José Oiticica, conclui, interrompe a Jonatas Serrano e faz uma interrupção curta na João XXIII , que é o ponto onde ‘cata’ toda essa água e chega até o córrego”.
O recurso de R$ 4,9 milhões é proveniente da Defesa Civil do Paraná, via Fecap (Fundo Estadual para Calamidades Públicas). A obra deve ser finalizada em até 180 dias, cerca de seis meses.
‘Não adianta só tampar o buraco’
A solução é um alívio para moradores da região, que sofrem com diversos prejuízos causados por erosões ao longo dos anos. Roberto e Lídia Kanashiro vivem bem em frente ao barranco oriundo da calçada na Raja Gabaglia. Em 42 anos, viram crateras abrindo, tubulações estourando e inundações em casas.

“Não adianta só tampar o buraco aqui. O problema vem da estrutura antiga, e se for só aqui, com o tempo estraga. Vamos ver se resolve de vez, não vou estar aqui por mais 40 anos, mas nos 40 anos que eu estou aqui, já vi tanto estrago nesse trecho, é uma barbaridade”, lamentou Roberto.
Obra preventiva
O prefeito Tiago Amaral (PSD) ressaltou que o problema começou como uma fissura “que não foi tratada da forma que deveria”, com a situação considerada grave há 14 anos. “Se nós não fizéssemos essa intervenção, o caminho natural seria engolir essa rua toda, ia acabar com uma senhora ou criança caindo no buraco ou com um carro engolido, e o estrago seria imensurável e sem contorno”.

Tiago Amaral salientou que o empreendimento no córrego não irá gerar custos aos cofres municipais, devido a parceria com a Defesa Civil Estadual. O local integra uma lista de 1.700 áreas de atenção no Paraná como um todo, de locais que colocam a população em risco e devem ser contemplados com obras. Tiago Justino, chefe do Núcleo de Atuação Regional do órgão, informou que a intervenção em Londrina é preventiva, para que as calçadas e a vegetação deixem de ser prejudicadas.

“A prefeitura poderia fazer com o dinheiro dela, mas como tem a possibilidade de utilizar o dinheiro do Estado, acaba economizando e pode usá-lo em outras situações. No caso de licitação, como estamos fazendo aqui, o dinheiro vem antes do problema, então estamos tentando resolver para que não termine de desmoronar aqui”, completou Justino.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


