Paulo Pegoraro
De Cascavel
O lixo tóxico recolhido nas lavouras do Oeste paranaense começa a ser transferido para a Unidade Regional de Recebimento e Triagem, instalada no aterro sanitário de Cascavel. A unidade integra o programa Terra Limpa, iniciativa da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, em parceria com os municípios. A Unidade receberá o lixo tóxico de 24 municípios da região. O lixo será preparado e encaminhado para reciclagem.
O depósito das embalagens de agrotóxicos em fundos de propriedade e próximo de cursos d’água causa contaminação do ambiente e é um risco à saúde de pessoas e animais. O Terra Limpa tenta solucionar este problema. As embalagens de produtos utilizados na última safra foram recebidas pelas coordenações municipais do programa, e serão transferidas para Cascavel entre hoje e o dia 7. As que estão sendo utilizadas agora deverão ser entregues até o final do ano.
O processo foi deflagrado no início de novembro do ano passado, com a implantação da Unidade. Coordenadores e comunidades rurais foram treinados sobre a tríplice lavagem das embalagens e sua perfuração, para que não reste qualquer resíduo do produto químico. Em todo o Estado, 14 cidades-pólo centralizam as ações.
Na Unidade, as embalagens serão prensadas (latas e plásticos) ou trituradas (vidros), parte é incinerada e outra comercializada com uma empresa recicladora. O plástico será transformado em conduíte de fios elétricos, por uma empresa de Guariba (SP), única licenciada no País. Segundo o secretário de Meio Ambiente de Cascavel, Paulo Orso, o plástico representa 90% de todas as embalagens. Em todo o Estado, são utilizadas anualmente 14 milhões de embalagens.
Em Toledo (45 quilômetros a oeste de Cascavel), o secretário municipal de Meio Ambiente, André Angonese, estima que sejam transferidas para Cascavel mais de 15 mil embalagens. Angonese observa que entre os graves erros cometidos por agricultores estavam os de queimar embalagens, porque os resíduos químicos se volatilizam, trazendo riscos para o homem e o meio ambiente. Outro erro é enterrá-las, pois os resíduos permanecem na terra por cerca de 200 anos.