Começa o julgamento de três acusados
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domingo, 08 de março de 1998
Carmem Murara 
ReproduçãoA vítimaEvandro Ramos Caetano, sete anos, teria sido morto em 1992 durante ritual de magia negraOs funcionários do Fórum Criminal de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) passaram o dia de ontem acertando os últimos detalhes para um dos maiores julgamentos que a município já presenciou. Hoje, a partir das 13 horas terá início o julgamento dos sete acusados da morte do menino Evandro Ramos Caetano, sete anos. O garoto teria sido assassinado em 1992 num ritual de magia negra, em Guaratuba. Os primeiros réus, que se submetem a julgamento, são Osvaldo Marcineiro, Davi Soares e Vicente de Paula.
Todos respondem pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Eles podem ser condenados a 51 anos de prisão. Como são réus primários e já cumpriram um sexto da pena, dificilmente voltam a prisão fechada. Os sete acusados estão em prisão domiciliar, desde meados de 1996.
Até o início da noite de ontem não havia nenhum indício de que o julgamento pudesse ser adiado pela segunda vez. O habeas corpus ajuizado por um dos advogados de defesa, Osmam de Oliveira, ainda não teve apreciação. O advogado pede que apenas a promotora Rosana Lima acompanhe o caso, excluindo os outros dois promotores chamados especialmente para o caso. O pedido de liminar pode ser julgado hoje ou amanhã, mas não impedirá que o julgamento continue.
Mesmo que o doutor Osmam consiga retirar os dois promotores, o julgamento pode continuar com um, esclareceu o advogado de defesa dos três réus, Figueiredo Basto. O advogado fez questão de esclarecer que não partiu dele o pedido de adiamento do júri. Ele ressaltou que adiar a data seria retardar ainda mais um processo que se tornaria contraproducente.
O julgamento do caso Evandro foi desmembrado em três júris distintos. Os outros julgamentos acontecem em 24 de março, quando sentam no banco dos réus Celina e Beatriz Abagge. Elas eram, respectivamente, esposa e filha de Aldo Abagge, prefeito de Guaratuba na época do crime. No dia 6 de abril serão julgados Airton Bardelli e Sérgio Cristofolini.
O primeiro dos três julgamentos será o mais longo. O escrivão Arlindo Osni Lichtenfels do Fórum Criminal de São José dos Pinhais disse que a sentença só deve sair a partir do sexto dia. Durante este período, os sete jurados ficarão incomunicáveis. Dois oficiais de Justiça permanecerão o tempo todo com eles, afirmou. Ao todo há 34 testemunhas de defesa e acusação arroladas.
Lichtenfels disse que precisou instalar dois telões dentro da sala do júri, onde serão passadas fitas de vídeo com cenas da confissão dos réus. Por precaução deixei um telão de reserva, afirmou. O escrivão passou praticamente o final de semana inteiro dentro do tribunal. Confessou ser um dos júris mais importantes que preparou.
Ele chegou a pedir reforço policial para a Polícia Militar. Serão quase 40 policiais civis e militares, que ficarão dentro e fora do tribunal. Toda a quadra em frente ao Fórum será isolada. Um grupo de 189 pessoas poderão assistir ao julgamento. Deste total, 25 espectadores foram escolhidos pela acusação, 25 pela defesa e 35 são jornalistas. O restante entra no prédio por ordem de chegada. A partir do segundo dia de julgamento, os trabalhos do júri começam entre 8h30 e 9 horas e podem ir até às 22 horas ou 23 horas. Só com alimentação dos jurados e testemunhas e membros do júri o Tribunal gastou R$ 30 mil.


