Começa o interrogatório de testemunhas
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quinta-feira, 02 de abril de 1998
Cristine Pieske 
Começa hoje, ao meio-dia, o interrogatório das 27 testemunhas de defesa e acusação do julgamento de Celina e Beatriz Abagge, em São José dos Pinhais. O interrogatório está previsto para durar cinco dias e durante este período todas as testemunhas ficarão incomunicáveis. Desde o início do julgamento, no dia 23 de março, a apresentação das testemunhas já havia sido adiada duas vezes porque a fase de leitura das peças processuais extrapolou o tempo previsto. Os trabalhos de leitura dos documentos da defesa deverá ser encerrado hoje pela manhã.
A fase de interrogatórios é uma das principais num julgamento. Ela antecede o período de debates, onde as duas partes expõem aos jurados sua versão do processo. Primeiro serão ouvidas as testemunhas da acusação e em seguida as da defesa. O primeiro interrogado do Caso Evandro deverá ser o promotor Carlos Roberto DalColl, que trabalhava em Guaratuba em 1992 e atuou na fase inicial do processo. Outras testemunhas arroladas pela acusação, como o diretor do Instituto Médico Legal (IML), Francisco Moraes Silva, e o delegado da Polícia Civil, Ricardo Noronha, também deverão ser interrogadas hoje.
O médico legista Raul de Moura Rezende, que se suicidou na terça-feira, deveria depor como testemunha da acusação. É dele o laudo apresentado pela promotoria que atesta que Celina e Beatriz Abagge não tinham lesões que denotassem tortura. O laudo contraria a versão sustentada pela defesa, segundo a qual as rés confessaram o crime porque foram agredidas fisicamente por policiais militares.
Com a morte do legista, a promotoria deverá pedir a substituição de Rezende pelo médico Manabi Jojima, que teria presenciado o exame médico feito nas rés. O advogado de defesa Antônio Figueiredo Basto diz, no entanto, que o depoimento de Jojima não terá validade porque o médico não assinou o laudo e por isso não pode figurar como perito do processo. A defesa estuda também a exibição no tribunal de uma carta de despedida deixada por Rezende. (Leia texto abaixo).
Ontem, Figueiredo Basto voltou a dizer que poderá pedir a prisão em flagrante de quatro testemunhas da acusação, que segundo ele vão mentir em juízo.
Com a demora do julgamento, a juíza Marcelise Weber Lorite aceitou transferir a data dos júris de Sérgio Cristofollini e Airton Bardelli para o dia 22 de abril, e de Osvaldo Marcineiro, Davi de Santos Soares e Vicente de Paula para o dia 18 de maio.


