Luciana Pombo
De Curitiba
Discussões e ameaças de processos por calúnia e difamação. Foi desta forma que começou ontem o julgamento de três dos sete acusados de terem matado, num ritual de magia negra, o menino Evandro Ramos Caetano, de 7 anos, em Guaratuba, litoral paranaense. O crime teria acontecido no dia 7 de abril de 1992 e, até agora, apenas Beatriz e Celina Abagge, acusadas de terem encomendado o assassinato, foram julgadas e absolvidas.
O pai-de-santo Osvaldo Marcineiro, 47 anos, Vicente de Paula Ferreira, 48, e o artesão Davi dos Santos Soares, 37, deverão enfrentar um julgamento previsto para durar entre dez e 15 dias, no Fórum de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Ontem, na abertura da sessão, o advogado de defesa, Álvaro Borges, tentou suspender o julgamento. Ele alegou que os réus teriam que ser julgados pela juíza Marcelise Weber Lorite, que presidiu o julgamento das Abagge e pediu afastamento do caso em março deste ano, alegando motivos de foro íntimo. ‘‘Todos sabemos que a juíza Marcelise foi afastada do caso sorrateiramente pelo Tribunal de Justiça’’, acusou o advogado.
O juiz designado para ficar no lugar de Marcelise, Marco Antonio Antoniassi, da 2ª Vara Cívil de Curitiba, reagiu às acusações e fez constar as afirmações do advogado em ata. O promotor de Justiça, Paulo Sérgio de Lima, sugeriu ao juiz que envie cópias da ata para o Tribunal de Justiça e para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Paraná. ‘‘As acusações são levianas e precisam ser encaminhadas aos órgãos competentes para as devidas medidas judiciais’’, alegou ele.
Mesmo com a tentativa frustrada de suspender a sessão, os júris foram sorteados ainda na parte da manhã. Dos 11 jurados sorteados, apenas sete foram considerados aptos para participarem dos dias de julgamento. Os jurados não poderão conversar com outras pessoas ou entre si até o veredicto final.Advogado dos três acusados que estão sendo julgados tentou suspender a sessão, alegando que juiz não poderia ter sido mudado
Albari RosaAlegaçãoVicente de Paula Ferreira prestou depoimento ontem, à tarde, no Fórum de São José dos Pinhais, e afirmou que confessou crime porque foi torturado

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