Começa montagem de celas modulares no 2º distrito
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de março de 2006
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Começou ontem a montagem das celas modulares no 2º Distrito Policial (2º DP) de Londrina. Os módulos estão sendo trazidos de Curitiba e devem ficar prontos em 30 dias, dobrando a capacidade da carceragem da unidade da Zona Leste, mas ainda sem solucionar o problema da superlotação do distrito, apontada como a principal causa para as constantes fugas.
Os cinco módulos são uma solução paliativa para a superlotação crônica do 2º DP, com capacidade para 64 presos, mas atualmente abrigando 240. A montagem, esperada desde o ano passado, passou por atrasos, mas começou ontem, com o estudo do terreno e início das obras de infra-estrutura. ''Vamos instalar a rede de esgoto, água e energia, para depois construirmos a base para a sustentação dos módulos'', explicou Marcelo Cardoso, engenheiro civil da empreiteira curitibana BrasilSat, responsável pela montagem. ''Se não houver imprevistos, a entrega acontece em 30 dias.''
À espera da conclusão das obras e da entrega do Centro de Detenção de Londrina prevista para abril a Polícia Civil já enfrentou três fugas nos últimos 10 dias, no 2º, 4º e 5º distritos, quando mais de 70 presos fugiram. Deste total, 57 ainda estão foragidos. Todos os quatro distritos com carceragem estão superlotados, abrigando mais de 400 presos em espaços para a metade desta quantidade.
Além de aliviar a carceragem dos DPs, os módulos vão ajudar a polícia a cumprir um dos pedidos feitos na última sexta-feira pelo Ministério Público (MP), que determinou a compra de remédios e o isolamento dos presos em piores condições de saúde. No 2º distrito, mais da metade dos detentos sofre com surtos de sarna e Staphilococcus aureus (que provoca infecções de pele).
Há também a suspeita de osteomelite e tuberculose, identificadas nas visitas feitas por uma equipe da secretaria municipal de Saúde. ''Vamos transferir para os módulos primeiro os presos com problemas mais graves'', disse o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (10 SDP), Sérgio Luiz Barroso. ''Disponibilizamos alguns medicamentos para a sarna e para a desgermização dos presos. A Secretaria Estadual de Saúde iria comprar outros remédios'', relatou a diretora de Epidemiologia do município, Josemari de Arruda Campos.
A equipe da secretaria encaminhou um relatório ao promotor de Defesa de Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares. Ele e o promotor da Vara de Execuções Penais (VEP), Francisco Soares, oficiaram às secretarias estaduais de Saúde e Segurança pedidos de providências. ''Também temos pedidos de interdição do 2º e do 5º DP, mas seria imprudente atendê-los neste momento. O ideal é esperar pela conclusão do Centro de Detenção e das celas modulares'', afirmou Soares.


