Começou a licitação dos projetos para a Cadeia Pública de Londrina. A autorização foi assinada ontem, no final da tarde, pela governadora em exercício, Emília Belinati. A unidade deve ser construída em terreno doado ao Estado, na estrada Londrina-Maravilha, gleba Três Bocas (zona sul).
A Cadeia Pública vai abrigar 260 presos não condenados, que aguardam julgamento e hoje superlotam os distritos policiais da Cidade. Além das condições subumanas dentro das celas, os DPs têm registrado inúmeras fugas. A última aconteceu na noite do último sábado, quando 44 presos escaparam do 4º Distrito Policial (zona oeste). A construção da Cadeia Pública é tida como prioritária por autoridades policiais de Londrina, e também vista como a solução para o drama dos DPs.
O terreno onde será construída a Cadeia tem 16.796 metros quadrados de área. A previsão é de que, numa primeira etapa, a área construída será de 2.050 metros quadrados, com 68 celas. Depois, a intenção do Governo é aumentar o total de área construída para 3.556 metros quadrados.
Nos próximos 45 dias, estarão sendo licitados diversos projetos que envolvem a obra, nas partes arquitetônica, estrutural, elétrica, hidráulica, de prevenção contra incêndios, de telefonia e - claro - de segurança. O custo dos projetos vai ficar em, no máximo, R$ 75,8 mil, de acordo com o Governo do Estado. O custo total está calculado em R$ 1,3 milhão. Há R$ 900 mil destinados à obra, no Orçamento da União deste ano.
O Governo espera que, uma vez concluída a licitação, os projetos sejam entregues em 90 dias. Ou seja: a parte de projetos deve ser finalizada até julho.
Depois, haverá a licitação da construtora que se responsabilizará pela obra. Só então virá a construção propriamente dita, que deve durar no mínimo um ano. Em expectativa otimista, a Cadeia Pública pode estar funcionando em 98.
‘‘A Cadeia Pública é uma obra esperada há muitos anos pelo povo de Londrina. Era uma questão urgente, primordial para o bom funcionamento da segurança pública no Norte do Paranᒒ, disse a governadora, ontem à tarde.
Depois que a Cadeia Pública estiver funcionando, o Governo planeja aumentá-la, construindo celas para mais 222 presos.
A questão do local da Cadeia Pública provocou muita polêmica no ano passado. Em novembro de 95, a Prefeitura doou ao Estado um terreno no jardim Acapulco (zona sul), destinado à construção da unidade. Mas, em abril de 96, os moradores do bairro resolveram se organizar, revoltados contra a escolha do local.
Foi uma verdadeira novela. Os moradores fizeram vários protestos. Eles diziam temer que a Cadeia Pública atraísse marginais para o jardim Acapulco. Já as autoridades policiais, os membros do Conselho Municipal de Segurança e o então prefeito Luiz Eduardo Cheida argumentavam a favor da escolha do local.
Em outubro de 96, pressionados pelos moradores do Acapulco, os vereadores revogaram a doação do terreno ao Governo do Estado.
A polêmica se encerrou de modo inesperado. A solução veio através de uma doação de área particular. Ainda em outubro do ano passado, o diretor da loteadora Ferrari, Luiz Roberto Ferrari, propôs doar um terreno, próximo à rodovia que leva ao distrito Maravilha. As autoridades locais aceitaram a proposta. No terreno doado por Ferrari, deve ser construída a Cadeia Pública, que agora entra em fase de licitação.

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