Começa hoje Congresso de Criminologia
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segunda-feira, 21 de maio de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Diminuição da maioridade penal, guarda municipal, violência infantil, descriminalização das drogas e outros temas polêmicos serão discutidos de hoje até sexta-feira no I Congresso Brasileiro de Criminologia e Política Criminal. Organizado pelo Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (Ibccrim), o evento vai reunir 750 participantes de diversos estados, como Paraná, Amazonas e Rio de Janeiro.
A grande procura surpreendeu o coordenador geral do evento, Walter Barbosa Bittar. O advogado ressaltou que, apesar de ser realizado em Londrina, cidade que vem discutindo (e vivenciando) bastante a criminalidade nos últimos tempos, e destinar a manhã de quinta-feira inteiramente para discutir questões locais, o evento visa discutir a questão da criminalidade como um todo, bem como buscar alternativas e soluções para amenizar o problema.
''A violência no mundo globalizado: evolução, consequências e enfrentamento'', é o tema da conferência de abertura do congresso, ministrada pelo conceituado professor René Ariel Dotti, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Amanhã, um dos assuntos que deve levantar acaloradas discussões é a questão da influência da mídia no princípio da imparcialidade do juiz em um processo penal.
Na quinta-feira, o painel ''Tendências Político-Criminais na Região Metropolitana de Londrina'' vai discutir a questão do efetivo policial e repressão ao crime, a violência infantil e os modelos de reação social, e a viabilidade da justiça restaurativa em Londrina.
O congresso vai contar com a participação do ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal, e da ministra Maria Thereza Rocha de Assis Moura, do Superior Tribunal de Justiça, além do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná, Alberto de Paula Machado, e do diretor geral do Fórum de Londrina, Carlos Maurício Ferreira.
Bittar também vai fazer uma conferência, abordando a criminologia da vida cotidiana, tema que envolve outra questão polêmica: a ânsia em se punir todo e qualquer pequeno ato infracional enquanto crimes mais graves, como aqueles contra o patrimônio público, permanecem impunes. ''Os recentes escândalos políticos no país foram um grande fomentador de criminalidade, pois mostraram que não se pune determinada parcela da população'', afirma, esclarecendo que é preciso repreender, mas não se pode perder o foco principal da questão com o uso de dois pesos e duas medidas nessa repressão.
Para Bittar, as saídas passam necessariamente por um planejamento e uma visão mais abrangente das ações contra a violência. ''Você não vê o poder público com uma política de segurança pública a médio e longo prazo. Além disso, é preciso pensar em questões como a política habitacional como alternativas de combate à violência'', sugere, ressentindo-se da falta de vontade política nesse sentido.


