As obras de canalização do córrego da rua Giostri Sobrinho, no bairro Cajuru, foram retomadas ontem pela Prefeitura de Curitiba. A proposta é prevenir enchentes numa região em que moram 45 mil pessoas. Os serviços estavam paralisados há dois meses porque havia cinco casas no trajeto do canal que impediam a entrada das máquinas.
As famílias que moravam no trajeto do canal tiveram os terrenos desapropriados, depois de fazerem um acordo com a prefeitura. As máquinas devem terminar hoje a demolição das casas e dar continuidade às obras de canalização. ‘‘Com a retirada amigável dessas famílias, podemos dar sequência a um dos canais do Bolsão Cajuru que ajudarão a evitar enchentes e alagamentos na região’’, disse o prefeito Cassio Taniguchi.
O Bolsão Cajuru é o maior projeto de combate a enchentes feito pela Prefeitura este ano. Orçado em R$ 5,6 milhões, prevê a instalação de três pontes ferroviárias que já foram concluídas e 16 pontes de concreto para carros, revestimento de 4,9 quilômetros de canais afluentes do Rio Atuba e pavimentação de 22,3 quilômetros de vias. As obras estão em andamento e devem terminar até o final do ano. Os recursos são provenientes do Banco Mundial, por meio do Prosam (Programa de Saneamento Ambiental).
O Cajuru é uma das regiões com mais problemas de enchentes da cidade. A área foi ocupada desordenadamente porque muitas famílias se instalaram muito próximo de córregos. No bairro há 9.480 domicílios irregulares, 70% dos quais localizados em área de alagamento.
No córrego da rua José Giostri Sobrinho, o canal terá 1.430 metro de extensão (50% em terra e 50% em concreto pré-moldado). As obras vão custar R$ 706,5 mil. Até agora, já foram feitos 25% dos serviços. O canal começa na altura do Rio Atuba e vai até a linha ferroviária da rua Engenheiro Bley.
As famílias envolvidas receberam o valor das desapropriações na última sexta-feira, e esta semana começaram a fazer a mudança. A maioria preferiu permanecer na mesma região e comprou imóveis próximos ao local onde estava morando. A negociação com as famílias da Associação Popular para Alimentação e Agricultura - também chamada de Vila Agrícola do Cajuru - consumiram cinco meses e envolveram diversos órgãos.
Com a solução da Vila Agrícola, a prefeitura completa oito desapropriações realizadas na região do Cajuru. Essas medidas são adotadas quando os moradores de áreas que estão no traçado das obras têm documentos que comprovam a propriedade.

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