Começa campanha contra superlotação de encarcerados
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 1997
Lucília Okamura 
Arquivo FolhaLondrinaPoliciais vigiam cela superlotada: Igreja arregimentará advogados para atender pequenos delitosOs quatro distritos policiais de Londrina abrigam quase 200 presos, praticamente o dobro da capacidade das celas (104 no total). A superlotação é um dos problemas que a Pastoral Carcerária quer combater, dentro da Campanha da Fraternidade/97, que traz o tema A Fraternidade e os Encarcerados e tem como lema Cristo Liberta de Todas as Prisões.
A Pastoral Carcerária existe há cerca de 15 anos e tem como objetivo celebrar missas e prestar apoio aos detentos, jurídica ou socialmente. A Pastoral realiza visitas semanais à Penitenciária de Londrina (PEL) e, neste ano, quer começar a atender também os presos dos distritos policiais.
Por enquanto, a superlotação não atinge a PEL, que abriga 360 detentos, mas está com a capacidade esgotada. Celas superlotadas são comuns nos DPs. Padre Altair Manieri, da Pastoral, acredita que, mais importante que a construção da Cadeia Pública - que as autoridades acreditam ser a solução para desafogar os DPs - é um acompanhamento jurídico mais intenso. O Estado nomeia um advogado para atender 160 casos. Se houvesse mais advogados para atender os pequenos delitos, os detentos seriam liberados mais rapidamente.
Para desenvolver um trabalho de humanização mais abrangente junto aos detentos e às suas famílias, padre Altair diz que pretende contar com a ajuda de assistentes sociais, psicólogos e advogados e outros profissionais que queiram se engajar na campanha. Outro objetivo é a criação do Conselho de Apoio ao Preso, formado por representantes de várias entidades e que está previsto na Lei de Execuções Penais.
Na opinião do arcebispo Dom Albano Cavalin, é importante acabar com uma série de preconceitos em torno dos encarcerados, já que eles são filhos de Deus e todos os homens são viáveis de serem recuperados. O arcebispo observa que, entre os preconceitos mais comuns, estão o de que os detentos estão na penitenciária porque merecem e que a pena de morte é a solução para estes presos. Ele ressalta ainda que um dos grandes mitos é que a maioria dos detentos é negra. Pesquisa publicada no Manual da Campanha da Fraternidade mostra que 56% dos presos são brancos.
A pesquisa ouviu 129.169 presos (96,31% são homens). Deste total, 95% são pobres. Dom Albano observa que 43% deles foram presos por assalto e furto, 17% por homicídio e 10% por tráfico de drogas. Não há nenhum preso por corrupção, o que não corresponde à situação brasileira. Em Londrina, a realidade não difere muito. Segundo o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, do total de presos nos distritos, 27,46% praticaram furto, 23,32% roubo, 18,14% tráfico de drogas, entre outros crimes.
Em Londrina, a campanha será aberta oficialmente hoje, às 19h30, na Catedral, com uma missa a ser celebrada pelo arcebispo. Dom Albano explica que durante a missa de hoje à noite serão mostrados cinco grandes grades, simbolizando os cárceres familiares, do trabalho, do poder, das drogas, além da prisão propriamente dita.


