Edson MazzettoInício do ano letivo atrasou por causa da demora na imissão de posseCerca de 400 crianças começaram a frequentar aulas de 5ª a 8ª séries, ontem, na Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a leste de Cascavel). Houve solenidade com participação de autoridades e dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Paraná. Segundo o MST, o início do período letivo atrasou porque o Incra demorou para entregar a declaração de sua imissão de posse da terra, ao Núcleo Regional de Ensino de Guarapuava, para que legalmente fosse possível o funcionamento da escola.
A Fazenda Pinhal Ralo, de 43 mil hectares, teve 16,8 mil hectares desapropriados por decreto do presidente da República, quase um ano depois de ter sido invadida por mais de três mil famílias, em 17 de abril de 1996.
Apenas na quinta-feira, os sem-terra foram ‘‘confirmados’’ da posse pelo Incra. Uma avaliação de ontem indica que cerca de 1.400 famílias permanecem na fazenda. As demais foram saindo paulatinamente ao longo dos meses por causa da demora da desapropriação.
As negociações envolveram diretamente o ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, e diretores da empresa agropecuária dona da fazenda, a Giacomet-Marodin, que mudou sua razão social no início do mês para ‘‘Araupel S/A’’. A empresa passou a atuar também nos setores de celulose e papel.
Os lavradores realizaram ontem uma celebração da tomada de posse da área, juntamente com o início das aulas. O ensino de 5ª a 8ª séries é de responsabilidade do Estado, que designou seis professores para as aulas.
Eles e os alunos devem trabalhar de forma intensiva para que seja possível cumprir o calendário do ano letivo. Crianças da faixa da 1ª a 4ª séries têm aulas há dois meses, com 15 professores da prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu. Um barracão que abrigava maquinário da Araupel foi improvisado como escola.
O MST distribuiu nota criticando a ‘‘precariedade das condições’’ existentes para as aulas ‘‘devido a burocracia entre Incra e Estado’’.
As crianças permaneciam até agora apenas ajudando os pais no cultivo de roças nos cerca de 2 mil hectares. Como o plantio foi atrasado, a colheita ainda não terminou.
A estimativa é de que sejam colhidas entre 100 e 120 mil sacas de milho. A preocupação agora é com o assentamento definitivo das famílias após o repartimento dos lotes para que possam se habilitar a financiamento para a nova safra. Cada família deve receber cerca de 15 hectares e o espaço desapropriado é insuficiente para todos.
O Incra tenta negociar a desapropriação de mais 10 mil hectares com a Araupel, que ainda é dona de aproximadamente 66 mil hectares, em vários imóveis contíguos na região, considerando o que lhe restou da Fazenda Pinhal Ralo.

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