Começa amanhã, na 6ª Vara Criminal de Curitiba, a ouvida de testemunhas de defesa de quatro réus do Caso Zanella. Vinte e seis pessoas devem falar ao juiz competente, amanhã e sexta-feira, a favor do delegado titular do 12º Distrito Policial na época do crime, Francisco Batista da Costa, do delegado-adjunto Maurício Fowler, do superintendente Daniel Santiago Cortez e do escrivão Carlos Henrique Dias. Em cerca de 15 dias, o juiz deve pronunciar a sentença, determinando a absolvição ou a condenação dos réus. Há, entretanto, controvérsias sobre uma terceira hipótese: os réus serem ou não enviados ao Tribunal do Júri.
Os quatro réus, que respondem o processo em liberdade, são acusados de fraude processual, denunciação caluniosa e tortura. O estudante Rafael Rodrigo Zanella, de 20 anos, foi morto numa abordagem policial, em maio do ano passado, no bairro Santa Felidade, em Curitiba.
Os réus são suspeitos de montar uma farsa contra a vítima e seus amigos para acobertar uma ação policial desastrosa, assinando um auto de flagrante falso e fazendo tortura psicológica para que os rapazes que acompanhavam Zanella aceitassem uma versão falsa - a de que o estudante era traficante e que teria resistido à prisão. Policiais que participaram da abordagem diretamente teriam colocado armas e maconha junto ao corpo de Zanella para incriminá-lo.
Apesar de a legislação brasileira prever que apenas os crimes contra a vida podem ser submetidos a júri popular - os quatro réus não são acusados de homicídio como os demais acusados no mesmo processo - o caso pode ser enviado, por determinação do juiz da 6ª Vara Criminal, ao Tribunal do Júri. Segundo o assistente da acusação, o advogado Júlio Góes Militão, o caso poderá ser submetido a júri popular porque tem conexão com o dos demais réus, acusados também de homicídio. ‘‘Se o juiz assim determinar, o caso dos réus será submetido a júri popular, pelos demais crimes’’, explica.
O advogado criminal Dálio Zippin Filho entende que o caso dos quatro réus não pode ser enviado ao Tribunal do Júri porque as acusações não incluem homicídio. ‘‘Isso não deve acontecer porque o julgamento dos réus foi desmembrado’’, diz. ‘‘O júri popular, entretanto, seria inevitável se o julgamento fosse unificado.’’
Dois dos acusados de participar da abordagem policial em que Zanella foi morto já foram julgados. Os policiais civis Airton Adonsk Júnior e Reinaldo Siduovski foram condenados a 38 e 21 anos de prisão, respectivamente.Arquivo FolhaFrancisco Costa, delegado titular do 12º DP na época, é um dos acusadosAndrea Vendramini

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