A Copel concluiu esta semana a primeira fase das obras da Usina Hidrelétrica de Salto Caxias, no Rio Iguaçu. As águas que desde agosto do ano passado corriam pelo leito esquerdo do rio, foram desviadas para as galerias construídas embaixo de uma parte da barragem, que vai da margem direita até o meio do leito. Com este desvio já é possível a construção da barragem do lado esquerdo.
As obras da segunda etapa já começaram. Esta etapa, uma das mais complexas, depende de vários fatores imponderáveis, como o volume de chuvas - que determinará uma vazão maior ou menor do rio. Será construída uma segunda ensecadeira, pequena barragem em forma de ‘‘U’’, em argila compactada, feita para permitir a secagem do leito do rio e construção da barragem. Se as chuvas forem muito fortes, a argila vai literalmente por água abaixo.
Na primeira fase, a ensecadeira do lado direito conduziu o rio Iguaçu, que corria em um leito natural de 525 metros de largura, para uma estreita passagem de pouco mais de 150 metros. Agora, com o desvio, o rio corre em uma área cuja largura não ultrapassa 70 metros. A ensecadeira do lado esquerdo vai segurar o violento curso do rio estrangulado.
Salto Caxias, que fica entre os municípios de Capitão Leônidas Marques e Nova Prata do Iguaçu, no sudoeste do Estado, teve suas obras iniciadas em janeiro do ano passado. Não houve atrasos até agora, apesar de alguns incidentes climáticos. A cheia do começo de 1995, por exemplo, provocaria por si só um atraso de três meses. Ela obrigou os técnicos a fazerem uma reavaliação de todo o projeto, que acabou ganhando uma redução de seis meses no cronograma geral. Portanto, a obra está três meses adiantada. Também houve chuva de granizo dia 12 de outubro passado, com pedras do tamanho de ovos de galinha. Mas apesar de destruir os telhados dos alojamentos e dos escritórios, não alterou o ritmo dos trabalhos.
Mantendo esse andamento, a primeira das quatro unidades geradoras entrará em funcionamento até o final de 1998. Cada unidade terá potência para gerar 310 megawatts, num total de 1.240 MW. Isto representará um aumento de 37% na capacidade instalada da Copel, que saltará dos atuais 3.340 MW para 4.580 MW. Em outras palavras, quando os quatro grupos geradores estiverem funcionando a produção será de 5 bilhões de quilowatts hora por ano. O consumo atual na área da Copel é um pouco superior a 12 bilhões de quilowatts hora por ano.
A usina provavelmente será o último aproveitamento energético de grande porte construído no Rio Iguaçu, depois de Salto Osório e Salto Santiago, da Eletrosul, e Foz do Areia e Segredo, da Copel, todos planejados pelo consórcio Canambra - composto por técnicos brasileiros, americanos e canadenses - ainda no final da década de 60. Um usina prevista pelo consórcio para Capanema certamente não se concretizará, pois enfrenta problemas de ordem ambiental por localizar-se no Parque Nacional do Iguaçu.
O custo de Salto Caxias está estimado em 1 bilhão de dólares. Ela garantirá o abastecimento de energia no Paraná até 2003. A Copel tem ainda outros projetos de aproveitamento energético, como Jataizinho e Cebolão, no Rio Tibagi. Com esta usina e as próximas o Paraná se manterá como o principal produtor e exportador de energia elétrica do País, num momento em que as autoridades federais se preocupam com a falta de energia a partir já deste ano em outras áreas.

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