Começa a Exposição 2000 em Londrina
Silvana Leão
De Londrina
A véspera da abertura da 40ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina (Exposição 2000) foi de muito trabalho dentro do Parque Ney Braga. Como sempre acontece nas grandes festas, a sensação, ao ver tanta gente correndo de um lado para outro, era de que não daria tempo de deixar tudo pronto para receber o público, a partir das 14 horas de hoje. É claro que vai dar, mas como em anos anteriores, ninguém conseguiu evitar o acúmulo de trabalho nos últimos dias.
É sempre uma corrida contra o tempo. Ainda bem que este ano, pelo menos, não está chovendo, diziam Marcos Souza Silva e Juvenil Aparecido Rosa, funcionários de uma empresa de balanças. Eles começaram a montar os equipamentos na segunda-feira e ontem à tarde garantiam que faltavam apenas os toques finais, como colocação de banners.
No parque de diversões, os brinquedos que começaram a ser montados na quarta-feira passada também já estavam quase prontos para receber as centenas de crianças e adultos. A poucos metros dali, numa das nove barracas de venda de doces, um funcionário mexia o grande tacho de cocada. Há uma semana, começaram a ser transportados para o parque sete mil quilos de coco e quatro mil quilos de açúcar, que desde então estão sendo transformados em 50 mil doces, entre cocadas, paçoquinha e doce de leite.
Pretendemos vender mais que no ano passado, diz esperançoso Walter Severino Osório, sócio-proprietário das barracas, que participa da exposição de Londrina há quatro anos. Desta vez, cada doce vai custar R$ 1,00.
O mesmo otimismo é demonstrado pela comerciante Sueli Pereira do Nascimento, que há cinco anos sai de Ponta Grossa para vender crepes suíços na feira. Nesta edição ela aumentou de três para cinco pontos de comércio e pretende dobrar as vendas, que no ano passado ficaram em oito mil crepes. Este ano foi colocado um número menor de pontos de venda de alimentos, haverá a final do campeonato de rodeio e os shows do começo da feira também estão melhores, argumenta Sueli.
Para Wagner Eduardo Poloni, a esperança de conseguir lucrar mais na exposição deste ano está depositada no ponto escolhido por ele. Estamos melhor localizados. Muita gente vai passar por aqui, para ir ao parque de diversões, diz Poloni, que deixou para montar ontem a barraca onde vai vender relógios, óculos e bijuterias. Ele pagou pelo ponto R$ 1.650,00.
Longe de tantas preocupações, os animais que ontem terminavam de chegar ao parque se preparavam para seus dias de estrela. Durante toda a tarde, foi grande o movimento de peões transportando bois e touros para o banho. Alguns bem que tentavam evitar a água, mostrando-se contrariados com tanta movimentação, mas acabavam cedendo à insistência dos homens.
Homens que, afinal, estão ali única e exclusivamente para garantir o bem-estar dos exemplares das várias raças. Nós fomos os primeiros a chegar, na segunda de manhã. Viajamos a noite inteira, para evitar o calor e o sol, que judiam dos animais, conta Paulo Soares da Silva, que veio de Campo Florido (Minas Gerais) trazendo 11 animais da raça nelore. Segundo ele, chegar com tantos dias de antecedência facilita a recuperação dos bichos.
E os peões, como vivem durante os dias de feira? Tem muita gente que não gosta desta vida, mas eu acho bom demais, afirma, revelando que às vezes passa até 60 dias sem ir para casa, emendando uma exposição a outra. O dia-a-dia, segundo Paulo da Silva, não é dos mais fáceis: dorme invariavelmente tarde e levanta muito cedo para dar banho nos animais antes que os primeiros visitantes comecem a chegar. Mas aqui em Londrina é muito bom, não dá para perder esta feira. Até água à vontade a gente tem, elogia.O dia ontem foi de muita correria no Parque Ney Braga, que começa a receber o público a partir das 14 horas de hoje
Dorico da SilvaDorico da SilvaDorico da SilvaDorico da SilvaDIA DE PREPARATIVOSNa véspera da abertura da Exposição, foi grande a movimentação no Parque Ney Braga. Enquanto os brinquedos já estavam quase todos instalados (acima), os peões preparavam os animais, estrelas da festa (ao lado). Abaixo, funcionários trabalhavam na montagem das barracas





