Comec defende ocupa ção regular de fundos de vale
Comec defende ocupa ção
regular de fundos de vale
Para a diretora técnica da Coordenadoria da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), Zuma Schussel, a proposta de retirada das famílias que vivem nos fundos de vale para manter a qualidade da água da região, é utópica. Temos que considerar uma situação real, que é a ocupação dessas áreas por milhares de famílias durante 20 anos, não adianta pensar no ideal porque assim não teremos nenhum avanço prático, defende. O que conseguimos com a legislação restritiva que vigorou até o ano passado foram as invasões crescente e o risco à preservação dos mananciais, agora buscamos novas formas de ocupação.
Ela cita três grandes invasões em áreas de mananciais na Região Metropolitana de Curitiba nas últimas décadas. A de Zumbi dos Palmares, em Colombo, no Rio Palmital, onde estão 10 mil pessoas. Outras 12 mil pessoas no Rio Guarituba, em vários municípios, e cerca de 5 mil pessoas no Rio Irai, em São José dos Pinhais.
Nos três casos, os mananciais são fontes de captação de água pela Sanepar. Como a lei não permitia o loteamento dessas áreas, os terrenos eram desvalorizados e os proprietários não se importavam com as ocupações. Algunas até vendiam os lotes de maneira irregular. Devido aos altos índices de poluição do Rio Palmital, a Sanepar estaria estudando a possibilidade do desligamento desse rio do sistema de captação.
No mundo real temos que encontrar formas sustentáveis de regularização das ocupações, com manutenção das condições ambientais, porque não temos espaço nem recursos para as transferências de milhares de famílias, afirma a diretora técnica. A nova lei de proteção aos mananciais prevê a implantação de um sistema integrado de proteção aos mananciais que vai monitorar as condições ambientais dessas regiões.
A RMC possui hoje 2,5 milhões de habitantes, em sua maioria de baixa renda. Além de combater o adensamento das áreas já ocupadas, a Comec defende uma estratégia de prevenção a novas invasões. Isso deve ser feito com programas de habitação popular em áreas que não trazem riscos ao meio ambiente e não com a simples proibição de uso dos fundos de vale. Nas margens dos rios, a Comec defende uma urbanização menos densa. (E.C.)





