Combatendo o trote de maneira lúdica
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local
Cerca de 10% das 15 mil ligações que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) recebe por mês são trotes. O problema se intensifica no período de férias escolares. Por isso, o Núcleo de Educação e Urgência do Samu fez uma parceria com instituições de ensino superior de Londrina para colocar em prática o Projeto Samuzinho nas escolas, que tem a participação de mais de 30 graduandos e residentes de cursos de Enfermagem. A solução encontrada pelos estudantes desses cursos foi opor-se a essa brincadeira de mau gosto com palestras divertidas.
Uma das estratégias utilizadas foi criar uma música. "Você sabe o que é o Samu? Ligue 192 sempre que precisar. Quando é que eu tenho que ligar? Em qualquer emergência, pegue o celular." A música é de fácil assimilação e tem funcionado. O aluno do 1º ano da Escola Municipal Professor Moacyr Teixeira (zona norte), Mateus Henrique Guimarães Silva, de 7 anos, já decorou o telefone do Samu (192). De acordo com ele, esse número é muito importante para eventuais emergências. "Não posso ligar para fazer brincadeira porque é errado. A pessoa que faz isso pode impedir o atendimento a uma pessoa que está precisando de ajuda. Só podemos chamar quando tiver uma emergência", declarou.
Quem escuta Mateus falando assim fica admirado com tamanha segurança na hora de repassar as informações. Segundo o professor Cleiton José Santana, que trabalha no Samu e atualmente integra o grupo de docentes do curso de Enfermagem da Faculdade Pitágoras, um dos objetivos é justamente que essas crianças se transformem em multiplicadores, repassando as informações para os pais e amigos.
A conscientização é reforçada com atividades na sala de aula. Para que as crianças gravem melhor as informações, um jogo de perguntas e respostas é feito com as crianças, que são divididas em dois grupos, em uma divertida competição de conhecimento. "Para os alunos de Enfermagem esse projeto é importante porque estão se formando como profissionais e podem atuar no serviço de emergência. Esse primeiro contato com as crianças faz refletir sobre o papel do profissional e também sobre o papel de orientar. O enfermeiro tem o papel de educador seja de crianças, de pacientes do hospital ou dentro dos serviços de saúde", afirmou Santana.
Os alunos de Enfermagem da Pitágoras, UniFil, Inesul e da Universidade Estadual de Londrina (UEL) ficaram quatro meses desenvolvendo como transmitir as informações de uma maneira fácil para as crianças assimilarem. A aluna do 2º ano de Enfermagem da Pitágoras, Camila Costa Gonçalves, de 19 anos, diz que a experiência proporciona evolução. "Estou vendo como é a função do enfermeiro no papel de educar e estou crescendo também como profissional. Pessoalmente gosto de crianças e a experiência está sendo gostosa, porque o jeito da criança é mais carinhoso. Como educador, vejo a criança como o futuro da gente. É a partir do pequeno que o projeto vai evoluindo", destacou.
Professora do Ensino Fundamental da Escola Municipal Professor Moacyr Teixeira, Lucimara Aparecida Oliveira Gimenes destaca que o trabalho ajuda na formação de cidadãos mais conscientes. "Ninguém entre meus alunos confessou aplicar trotes, mas tenho certeza de que eles gostam de fazer isso, principalmente os mais grandinhos", admitiu. "Tem que ter respeito, saber o que é certo e o que é errado desde pequenininho, pois nesta fase eles absorvem as informações rapidamente."
O Samuzinho trabalha com 862 crianças da Educação Infantil, de 5 a 13 anos. Cinco escolas foram visitadas e a previsão é de que até o fim do ano letivo sejam contempladas mais cinco.